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"Patrimónios" – n.º 10, Julho 2013, Ano XXXIV, 2ª série, págs. 185 a 208.


A FÁBRICA ALBA E OS SEUS FUNDADORES

História e Património

Nélia Oliveira *

INTRODUÇÃO

A fábrica ALBA situada em Albergaria-a-Velha foi um dos ícones mais importantes do concelho de Albergaria-a-Velha. Através desta empresa, o nome de Albergaria perpetuou-se no mobiliário urbano que se pode ainda ver em muitas cidades e vilas portuguesas bem como na acção humanitária, social e cultural do seu principal fundador: Augusto Martins Pereira.

As fábricas ALBA caracterizam-se pelo vanguardismo da tecnologia e qualidade de produção de materiais de uso doméstico e equipamento de ponta. A localização desta empresa numa zona de parcos recursos e de dificuldade de acesso aos mesmos, a par da conjuntura económica e política do início até meados do século XX, despertaram também o sentimento humanitário e filantropo da família Martins Pereira.

O estudo que aqui se pretende apresentar divide-se em dois planos fundamentais: o plano económico e o plano social e cultural.

Inicialmente situada junto à Estrada Real, as Fábricas ALBA, ao longo dos cerca de 90 anos de existência, rapidamente aumentaram o património. Investindo nos planos cultural, social e económico, a sua produção está espalhada por todo o país e ex-colónias, nas mais diversas utilidades. Ao nível do património cultural, permanece sob a forma material (panelas, ferros de engomar, tampas de saneamento, bancos de jardim, portas de correio, etc.) e sob a forma imaterial através da memória de acção de bondade, generosidade para com a comunidade albergariense, severense e micaelense.

A Família Martins Pereira marcou, alterou e melhorou indubitavelmente a vida de muitas pessoas que privaram com ela.

 

OS PRIMÓRDIOS

Na qualidade de grande empresário da época, o Comendador Augusto Martins Pereira (1885-1960),[1] foi o grande mentor do crescimento e desenvolvimento da sua / pág. 185 / empresa. Natural de Sever do Vouga, com dez anos apenas começou a trabalhar como ajudante de fundição na Companhia das Águas de Lisboa, onde o seu tio exercia o cargo de mestre de fundição. Ainda em Lisboa, passou por várias Fundições: a Fundição Viúva de José Pedro Marcelo, Fundição Ribeiro & Branco e, já na Covilhã, pela fundição da Fábrica de Tecidos Campos, Melo & Irmão. Por volta de 1903, regressa a Sever do Vouga para trabalhar nas Minas do Braçal. Nesse mesmo ano, ainda junto da família, casa com Maria de Jesus Pereira; entretanto, perde o seu pai e vai trabalhar na fundição das Minas de Aljustrel por um período muito curto. A presença do Comendador em Ponta Delgada em 1905 confirma-se com o registo do nascimento do seu filho Américo (1905-1949). Durante este período, desenvolve a sua habilidade e engenho na fundição de Francisco Paula Moura.

O surto migratório afecta o futuro Comendador que, na companhia dos irmãos Adriano e Angelino ou Ingelino, também emigrou e trabalhou numa fundição em Boston, nos Estados Unidos da América.[2] Aqui complementou todo o tipo de conhecimento para promover a sua indústria. Regressando aos Açores, implementa em Ponta Delgada, na Rua dos Clérigos (que se situava junto ao oceano), uma indústria de fundição de sinos em bronze. Provavelmente por ser um mercado restrito, Augusto Martins Pereira, alarga o negócio e cria, em 1907, a Fundição Lisbonense[3], a sua primeira fundição de ferro, colocando em perigo o domínio da casa Bensaúde[4].

Talvez por pressão empresarial ou vontade de voltar à terra natal, em 1921 vende a sua empresa à Casa Bensaúde & Cª, sua concorrente.

Regressando ao continente já com os seus dois filhos Albérico e Américo, rapidamente percebeu que, para a sua actividade, seria Albergaria-a-Velha o centro nevrálgico do desenvolvimento económico e industrial e por cá permaneceu. Aqui, funda a mais moderna metalurgia de então, uma empresa com o mesmo nome da sua primeira fundição açoriana, mas, pouco tempo depois, desconhecendo-se os motivos, mas talvez pressionado por distintas individualidades da vila ou pelos sócios altera a denominação para Fundição Albergariense.

A 5 de Novembro de 1924, em Albergaria-a-Velha, a fim de aumentar capital, regista a Sociedade Augusto Martins Pereira & Companhia Limitada, com 29 sócios, maioritariamente albergarienses, o que resultou de diversas escrituras de cessão e cedência de quotas, durante o ano de 1923. Estava assim criada formalmente a firma:

 / pág. 187 /

“Objecto: fundição de ferro e bronze, serralharia e forja ou, de uma maneira geral, exploração da industria metalúrgica; Capital: 300.000$00; Sócios e Quotas: Francisco António de Miranda, (Albergaria-a-Velha), casado - 5.000$00; Ricardo Maria Nogueira Souto, (Angeja), casado; Vicente Carlos de Sousa, (Alquerubim), casado e José de Oliveira Matoso, (Alquerubim), casado - 15.000$00; Artur da Silva Ribeiro, (Ribeira de Fráguas), casado - 10.000$00; Augusto Martins Pereira, (Albergaria-a-Velha), casado com Maria de Jesus Pereira - 50.000$00; João Fortunato de Pinho, (casado) (Albergaria-a-Velha) - 10.000$00; Álvaro Faca, (Albergaria-a-Velha), casado - 10.000$00; João Pinheiro Mourisca, (Albergaria-a-Velha), casado - 10.000$00; Miguel Marques Henriques, (Ribeira de Fráguas), solteiro, maior - 15.000$00; Vicente Rodrigues Faca, (Alquerubim), (casado) - 10.000$00; Alfredo Ribeiro Campos, (Albergaria-a-Velha), casado - 10.000$00; Augusto Marques Pereira, (Valmaior), casado - 10.000$00; Júlio da Silva Dourado, (Albergaria-a-Velha), casado - 10.000$00; Eduardo Henriques de Almeida Souto, (Angeja), casado - 10.000$00; Manuel Luís Ferreira Tavares Pereira e Silva, (Albergaria-a-Velha) casado - 10.000$00; José Dias Aidos, (Alquerubim), casado - 5.000$00; António da Silva Geraldo, (Albergaria-a-Velha), (casado) - 5.000$00; João Rodrigues da Cruz, (Albergaria-a-Velha), casado - 5.000$00; VICENTE Rodrigues da Cruz, (Albergaria-a-Velha), casado - 5.000$00; Manuel Rodrigues da Cruz, (Albergaria-a-Velha), casado - 5.000$00; António Marques Pereira, (Albergaria-a-Velha), casado - 5.000$00; Artur Marques Pereira, (Albergaria-a-Velha), solteiro, maior - 5.000$00; Evaristo Gomes Ferreira, (Alquerubim), casado - 5.000$00; Francisco António de Miranda, (Albergaria-a-Velha), casado - 5.000$00; Lourenço Vicente Ferreira, (Aveiro), casado - 5.000$00; Augusto Correia Teles de Araújo e Albuquerque, (Albergaria-a-Velha), casado - 5.000$00; Manuel Domingues Pinto, (Ribeira de Fráguas), viúvo - 5.000$00; José Nogueira Lemos, (Alquerubim), casado - 5.000$00; José Gil de Lemos, (Albergaria-a-Velha), solteiro, maior - 45.000$00; Gerência: pertence ao sócio Augusto Martins Pereira e a um conselho de administração, formado por 3 sócios. (…)”[5]. Estava assim, formalmente, constituída a ALBA.

As dificuldades de implementação e posterior dinamização no mercado de trabalho marcaram a história da fábrica. Dois momentos foram decisivos para a sua expansão comercial:

1 - O reconhecimento da sua qualidade enquanto mestre de fundição levou-o a trabalhar na futura Oliva. Com a justificação de obter melhores taxas de juro, os sócios da empresa do futuro Comendador António José Oliveira, de São João da Madeira, justificam o alargamento da sociedade a Augusto Martins Pereira, com uma cláusula de exclusividade produtiva por um período de 15 anos, facto que não foi nada bem / pág. 188 / recebido pelo ambicioso e astuto albergariense, desfazendo-se a tentativa de acordo ou sociedade.[6]

2 - Compra a quota dos antigos sócios da sua firma transformando a empresa em sociedade em nome individual.

Volta para a sua empresa, que nunca tinha deixado de laborar e estavam assim criadas as condições para o progresso empresarial como se veio a confirmar.

De acordo com o Livro de Matrículas dos Comerciantes, “a 7 de Julho de 1928 Augusto Martins Pereira, regista-se como comerciante em nome individual com o comércio de fundição e tendo principiado as suas operações comerciais em 15 de Novembro de 1925 e usa como firma o seu próprio nome: AUGUSTO MARTINS PEREIRA (…)”.[7]

 

Comendador Augusto Martins Pereira.

 
 

Comendador Augusto Martins Pereira

 

2. LOCALIZAÇÃO ESTRATÉGICA E PUBLICIDADE

A primeira unidade fabril instala-se no velho edifício no Largo Conselheiro Sousa e Melo, designado BOCAS, com uma área de cerca de 1500m2. Começa aqui, junto à estrada real Lisboa-Porto, o progresso e desenvolvimento da empresa onde trabalhavam cerca de 100 operários, entre homens, mulheres e crianças.  / pág. 189 /

A organização do trabalho distribuía-se de acordo com as condições locais, embora houvesse algum resquício de influência americana. No rés-do-chão, os espaços eram amplos e arejados e, no 1º piso, encontravam-se os escritórios e sala de reuniões. Começa aqui a “fundição de lamparinas de alumínio para álcool, de venda exclusiva aos armazéns Grandela, que lhes chamavam maravilhas!”.[8]

Operários e patrões da Fábrica Alba no Largo Conselheiro Sousa e Melo (Anos 20).

Operários e patrões da Fábrica Alba no Largo Conselheiro Sousa e Melo (Anos 20)

Embora tenha sido fugaz a sua permanência nos EUA, ela repercutiu-se em Albergaria-a-Velha, não só a metodologia de trabalho e técnicas de fundição, mas também o design gráfico da marca. Pressupõe-se que o Comendador Martins Pereira tenha traçado o logótipo da “ALBA” inspirado no símbolo da ASTM, (American Society for Testing and Materials)[9]. Com o símbolo ALBA a Fábrica Metalúrgica Augusto Martins Pereira tornou-se conhecida em todo o país. A denominação reunia as três primeiras e última letra da palavra ALBERGARIA, ou coloca-se também a hipótese de ALUMÍNIOS DE ALBERGARIA – ALBA.  / pág. 190 /

 

 
 

Símbolos da ASTM e ALBA

 

 De inspiração fortemente americana, a publicidade empresarial era fundamental para o desenvolvimento dos negócios. Não só o design da marca ALBA estava definido mas também o uso da publicidade gratuita e a localização da empresa em local estratégico (num aproveitamento das vias de comunicação) para o escoamento fácil dos produtos. A implementação da unidade fabril junto da antiga estrada real e mais tarde da Nacional 1 torna-se, assim, imprescindível para o progresso empresarial.

A expansão da empresa levou, na década 30 do século passado, à construção da grande fábrica da qual ainda existe o grande edifício na Cavada Nova, zona sul da vila. A unidade fabril ocupava uma área com 22.726 m2, estando cobertos 18.168 m2, produzindo pelos anos 70, diariamente, cerca de 15 toneladas de ferro fundido.

A publicidade foi o maior aliado da expansão do produto final a par da inquestionável beleza e singularidade da imagem do logótipo. O crescimento económico nacional, a publicidade em catálogo com recurso a slogans “Alba garantia de bom fabrico”, a participação em feiras, realização de exposições, localização estratégica da empresa e qualidade do produto proporcionaram, inquestionavelmente, o progresso empresarial.

 

Escritório da Fábrica ALBA (1950)

 
 

Escritório da Fábrica ALBA (1950)

 
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AMAAV: A frota automóvel (1940)

 
 

AMAAV: A frota automóvel (1940)

 
     
 

AMAAV: Bairro de casas de quadros superiores e aspecto da fábrica (1940)

 
 

AMAAV: Bairro de casas de quadros superiores e aspecto da fábrica (1940)

 

Em 1934, a ALBA obtém a Medalha de Ouro na Exposição Industrial Portuguesa que se realizou em Lisboa. Este facto mostrou no mundo empresarial a qualidade da produção e perspectivou novos objectivos para a empresa.  / pág. 192 /

 

3. A PRODUTIVIDADE CARACTERIZA A ORGANIZAÇÃO INDUSTRIAL

As empresas e organizações formam-se e organizam-se com um objectivo, tendo sempre subjacente uma acção colectiva de empresa que é marcada por uma lógica coerente que a distingue de qualquer outra. A organização dada à empresa não tem em vista a intencionalidade de uma cultura organizacional. A organização vai se realizando, resolvendo, desbloqueando, de acordo com as necessidades, conflitos e contratempos que vão surgindo no decorrer da própria administração. A estrutura organizacional como elemento estruturante da empresa é a memória e história de um passado que os arquivos poderão confirmar ou não.

As marcas encontradas nesta organização prendem-se inicialmente com a característica da arquitectura industrial do primeiro quartel do século XX, patente nos diversos edifícios espalhados ao longo da EN 1 por todo o país, conforme apresenta Lucília Caetano. Era constituída por um grande pavilhão com áreas típicas da revolução industrial, a saber: áreas de fabrico, armazenamento, circulação (a frente da fábrica para cargas e descargas), serviços (administrativos, laboratório, secção de exposição de produtos), depósito de desperdícios, refeitório e espaço lúdico de convívio, sala de estudo e biblioteca e área de terreno de reserva.

Durante o Estado Novo, os conceitos de ordem e progresso faziam parte do desenvolvimento económico. Para o Comendador Martins Pereira, estas noções, fortemente presentes, foram enriquecidas com o espírito da solidariedade na preocupação de criar as melhores condições de trabalho e lazer, não só para os seus colaboradores mas também para a população em geral.

A fábrica, tal como muitas outras da época, apresenta as melhores, embora parcas condições de trabalho, aliás fenómeno comum no país ditatorial.

Num mercado económico em crescimento, a empresa tem necessidade de implementar progressivas melhorias de condições de trabalho e forma de organização. Nos meados do século passado, a ALBA era composta por algumas das seguintes secções: carpintaria, desenho, moldes, fornos de fundição, pintura, embalagem, limpeza e decapagem, tornearia, laboratórios químicos, escritório e armazéns. Estaria no cerne do crescimento da empresa a influência do modelo de administração desenvolvido por Taylor, assente na ideia da racionalização do trabalho, envolvendo a divisão de funções dos trabalhadores[10].

Com excepção da secção dos fornos, segundo a imprensa local, as restantes obedeciam a uma moderna concepção de higiene, largueza, espaço e ambiente onde os cerca de 600 operários que ali trabalhavam se sentiam bem com a convicção de serem imprescindíveis ao progresso e desenvolvimento da empresa.

A dedicação empresarial por todos os operários ligados à empresa ALBA foi notória e muito bem sucedida. Era frequente o apoio de funcionários dos quadros mais / pág. 193 / baixos para a ocupação de tarefas diversas numa visão global da empresa, num espírito colaborativo dentro e fora dela.

A acção concertada de gestão do Comendador e dos seus vendedores (actuais delegados/directores comerciais), da qualidade e pertinência do material criado foram sem dúvida os vectores para a manutenção de topo de venda dos produtos de qualidade. A presença do Comendador em várias exposições: Ponta Delgada, Lisboa, Aveiro, entre outras traduziu-se na projecção da marca. A emissão de catálogos e apresentação minuciosa dos pormenores técnicos fazia parte do marketing empresarial. Era frequente surgir a informação: “ALBA” “ Fundições de ferro e ligas não ferrosas” a par da enumeração dos artigos produzidos.

  A Fundição em Albergaria-a-Velha (1930)  
  A Fundição em Albergaria-a-Velha (1930)  

A expansão empresarial efectuou-se também para além de Portugal continental. A ALBA abre escritórios em Lisboa fazendo a gestão Albérico Martins Pereira. No sentido da expansão comercial, em 1953 Albérico, parte para Angola para aí estudar na companhia de técnicos, já da ALBA, a construção de uma fábrica de fundição, tornando-se administrador do Alumínio Português (Angola). Estabelece então parceria com a Lupral – Lusalite Previdente de Angola, maior consumidor de material complementar para equipamentos.

Era ainda frequente encontrar nos lugares de chefia da Fundição da Companhia de Caminhos-de-ferro de Moçambique antigos funcionários da ALBA, que migravam levando o Know-how.

A colaboração dos serviços da ALBA, na economia local realizou-se no apoio a outras empresas, por exemplo às Minas e Metalurgia, (anos 40-50), nomeadamente pelos laboratórios, que estavam muitíssimo bem equipados, na análise química da matéria e compatibilidades. / pág. 194 /

 

 
 

Visita de várias individualidades à Fábrica Alba (1950-60) destaque para o Comendador.

 
     
 

 
 

Fábrica Alba vista aérea (Jornal de Albergaria de 19-05-1998 pág. 8).

 
/ pág. 195 /
  Exposição em Ponta Delgada, 1946, o Comendador Augusto Martins Pereira e o Governador Civil Capitão António Aniceto Santos (Governador 1945-54).  
  Exposição em Ponta Delgada, 1946, o Comendador Augusto Martins Pereira e o Governador Civil Capitão António Aniceto Santos (Governador 1945-54).  
 
  Num stand expositor António Augusto Martins Pereira (neto do Comendador Augusto Martins Pereira) e o Almirante Américo Tomás (anos 40-50).  
  Num stand expositor António Augusto Martins Pereira (neto do Comendador Augusto Martins Pereira) e o Almirante Américo Tomás (anos 40-50).  
/ pág. 196 /
  IMAGOTECA-CMAVEIRO – Stand expositor em Feira.  
  IMAGOTECA-CMAVEIRO – Stand expositor em Feira  
 
  IMAGOTECA-CMAVEIRO – Stand expositor em Feira.  
  IMAGOTECA-CMAVEIRO – Stand expositor em Feira  
/ pág. 197 /
 

Catálogos de 1978 cedidos gentilmente por Albérico Madaíl.

 
 

Catálogos de 1978 cedidos gentilmente por Albérico Madaíl

 

3.1. A PRODUÇÃO

Um dos baluartes mais importantes desta empresa e da divulgação do seu nome foi de facto a capacidade criativa e o lançamento constante de novos artigos, necessários quer à industria, quer à agricultura, quer ao consumo doméstico, que constituíam o(s) catálogo(s) com cerca de 30.000 moldes. Do vasto conjunto produtivo, a ALBA, após a produção de lamparinas, terá iniciado o fabrico de equipamento doméstico: autoclismos, ventiladores, capachos, churrasqueiras, fogareiros a gás e a carvão, grelhas, fogões a lenha, panelas e tachos, cafeteiras, conchas, colheres de bico, chaleiras, cafeteiras, fervedores, terrinas e bacias para cozinhar, pratos, tigelas, almoçadeiras, assadeiras, jarros, lava-louças, martelos de picar carne, esmagadores de peixe, quebra-gelo, quebra-nozes, esmagadores e prensas para lagares, ferros de engomar entre outros. Também o equipamento urbano expande-se por todo o país através dos bancos de jardim, colunas para iluminação pública, mesas de jardim, bebedouros, lanternas, suportes de parede, pilaretes, esferas com e sem canhão, etc. Também fabricaram equipamento de combate a incêndio: as bocas-de-incêndio de parede e chão, postos de incêndio; em relação ao equipamento de aquecimento, terá sido a ALBA que iniciou o fabrico de fogões a lenha, salamandras e recuperadores de calor. Quanto ao fabrico de peças técnicas, outro sector de desenvolvimento da empresa, este traduziu-se na produção de material diverso, desde os pesos, pesos de pesca, tampas de saneamento, material para transporte ferroviário, indústria papeleira, bombas de rega, motores eléctricos e carapaças, equipamento de guerra, etc.

O que deu notoriedade à empresa ALBA não foi este ou aquele produto, mas sim um manancial de peças necessárias ao desenvolvimento, manutenção de cada organização ou empresa. Estas (Câmaras Municipais, empresas de jardinagem, decoração, industrias, transportes marítimos e ferroviários, etc.) foram as responsáveis pela / pág. 198 / proliferação por todo o país da história do design português através da colocação de colunas de iluminação, bancos de jardim e dos fontanários essencialmente.

Durante cerca de 80 anos, Portugal viu, nem sempre, os artefactos, utensílios, equipamentos, que sobreviveram e saltaram fronteiras nomeadamente para o continente africano, Angola e Moçambique[11].

   

Catálogos 1977 e 1975 cedidos por Albérico Madaíl

4. ACÇÃO BENEMÉRITA

Esta fase foi, sem dúvida, o culminar de todo um trabalho dedicado não só ao lucro mas também ao bem-estar de uma comunidade ávida de melhores condições sociais e culturais. O espírito humano e filantropo exprime-se através da construção de equipamentos sociais e culturais em Albergaria-a-Velha e Sever do Vouga, terra natal do fundador.

Américo Martins Pereira acredita que, ao proporcionar melhores condições de vida para os seus colaboradores e familiares, a produção é necessariamente de melhor qualidade. Esta dimensão repercute-se numa acção de solidariedade e filantropismo característico dos grandes empresários do Estado Novo.  / pág. 199 /

As empresas com bom desempenho comercial, com visão valores humanos e culturais pensam nos seus semelhantes e no seu bem-estar. Neste âmbito, e talvez seguindo os parâmetros das empresas Vista Alegre, Minas e Metalurgia (SAPEC), Caima & Pulp e Cª, com a construção de equipamentos específicos para os trabalhadores (casas de habitação, refeitórios, infantários, teatros, etc.), a empresa ALBA em Albergaria seguiu esta política que foi bem aceite pela sociedade.

Assim, uma das primeiras acções culturais foi deitar abaixo o antigo teatro Albergariense[12] e construir o novo Cine Teatro ALBA (1950), obra cujo projecto de arquitectura é da responsabilidade do Arquitecto e Eng.º José Júlio de Brito (1896-1965), do Porto; constrói igualmente um conjunto habitacional para os quadros superiores da sua fábrica, (anos 40); para os trabalhadores, permite a criação do Centro Cultural e Recreativo; compra o Campo das Laranjeiras denominando-o de Parque de Recreio e Desporto ALBA, inaugurado entre 16 e 17 de Agosto de 1941, equipando-o para diversas modalidades[13], o parque apresenta as melhores condições para o profissionalismo da futura equipa de Futebol Sport Clube ALBA, fundado sob a protecção da Fundição a 1 de Janeiro de 1941. Proporciona a criação de uma cantina e um armazém para minorar as dificuldades do abastecimento provocado pela II Guerra Mundial; incentiva a criação da Banda ALBA e, numa acção conjunta com a Misericórdia de Albergaria, constrói as casas do Bairro da Misericórdia, o Hospital de Albergaria e a Casa dos Pobres com serviço de refeição a custos muito baixos.

Era ainda frequente disponibilizar os seus serviços técnicos, por quem o solicitasse. Por exemplo, disponibilizou os desenhadores da fábrica para ajudar a comissão de obras da paróquia da Ribeira de Fráguas na concepção da nova Igreja Matriz.[14]

Banda Filarmónica ALBA, com a aplicação do símbolo ALBA no chapéu 1940-50

Banda Filarmónica ALBA, com a aplicação do símbolo ALBA no chapéu 1940-50

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  Fábricas ALBA e Centro Cultural e Recreativo  
 

Fábricas ALBA e Centro Cultural e Recreativo

 
     
   
  Aspecto interior do Centro Cultural e Recreativo ALBA  

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Em Sever do Vouga, apoia a construção do Cine Teatro Alba, do Hospital da Misericórdia e da Casa dos Pobres.

A ALBA marcou toda a vida social da sociedade civil albergariense, sendo o elo de ligação de muitas pessoas e memórias. Se o Cine Teatro Alba marcou a vida social e cultural, também durante muitos anos os alunos finalistas do Colégio de Albergaria realizaram o seu baile de fim de curso no Centro Cultural e Recreativo ALBA, que era cedido de forma gratuita. Nestes bailes[15] participavam toda a sociedade albergariense, aos administradores eram entregues convites especiais, e era servido um jantar de angariação de fundos para futura viagem de curso.

O património da Fábrica Alba estender-se-ia para além do património material, edificado, “construindo” o imaterial.

O Comendador Augusto Martins Pereira foi, de facto, um empreendedor visionário, com características únicas de um ser humano bem formado que soube traçar o / pág. 202 /rumo da sua vida, daqueles que o rodeavam, e que, numa época de crescimento económico, venceu as atrocidades da vida e cativou, pelas suas características, todos aqueles que com ele quisessem progredir, evoluir... vingar na vida! As suas qualidades não só de empresário mas também de ser humano solidário, fizeram com que, ao longo da sua vida, recebesse inúmeras homenagens, dos mais diversos pontos, desde a sociedade civil, militar, religiosa, política e inclusivamente da monarquia portuguesa.[16]. Aos seus filhos Américo (1905-1949), Albérico (1912-1993) e o neto António Augusto (1927-2013)[17] transmitiu os mesmos valores e estes responsabilizaram-se pela continuidade da empresa num espírito familiar. Foi indubitavelmente um homem com carisma, tenacidade, perspicácia, trabalhador e humilde.

A imprensa local destaca a recepção a excursionistas açorianos de passeio ao continente (1949,1950,1960) para conhecer Fátima, Serra da Estrela e Albergaria-a-Velha onde visitavam a fábrica ALBA, sempre recebidos com apreço e carinho e era-lhes servido um beberete.

Também enquanto Presidente da Câmara de Albergaria-a-Velha (1949-1957), exerce o cargo com uma honestidade e respeito pela coisa pública, fazendo grandes melhoramentos na então Vila[18].

  Eng.º Duarte Pacheco, Ministro das Obras Publicas; Coronel Gaspar Ferreira, Governador Civil de Aveiro e Comendador Augusto Martins Pereira numa recepção nas suas fábricas (1932-1936).  
  Eng.º Duarte Pacheco, Ministro das Obras Publicas; Coronel Gaspar Ferreira, Governador Civil de Aveiro e Comendador Augusto Martins Pereira numa recepção nas suas fábricas (1932-1936).  
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  Eng.º Duarte Pacheco, Ministro das Obras Públicas e Comunicações e Comendador Augusto Martins Pereira numa visita às Fábricas ALBA (1932-1936).  
  Eng.º Duarte Pacheco, Ministro das Obras Públicas e Comunicações e Comendador Augusto Martins Pereira numa visita às Fábricas ALBA (1932-1936).  
     
  Visita e Inauguração da Casa da Criança (Anos 50).  
  Visita e Inauguração da Casa da Criança (Anos 50).  
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  AMAAV Cine Teatro Alba Anos 50-60 (arquitectura do Estado Novo)  
  AMAAV Cine Teatro Alba Anos 50-60 (arquitectura do Estado Novo)  

Durante cerca de 80 anos, Portugal conheceu uma ínfima parte da produção metalúrgica da Fábrica ALBA. A marca ALBA prevalecerá, indiscutivelmente, no património material disperso pelos vários continentes fruto do empreendedorismo dos seus fundadores e das obras de cariz social e cultural.

No período após a crise de 1974 e crise petrolífera, esta fundição também não ficou imune às suas consequências. A partir dos anos 80, a falta de investimento técnico a par de outros constrangimentos derrubou, num curto espaço de tempo, um “império”.

Para pagamento das dívidas, procederam à venda do património, nomeadamente do Cine Teatro Alba de Albergaria em 1995 à autarquia. No final dos anos 90, a ALBA entra em processo de falência e, em Abril de 2001, foi adquirida pela Metalurgia e Fundição METAFALB, SA, empresa integrada no Grupo DURIT. As motivações para esta decisão foram várias, mas pesou particularmente na administração do Grupo DURIT, a preocupação de recuperar uma indústria com um largo passado de prestígio, que se manteve inabalável, representando uma das suas principais forças, a implantação social da empresa e o que historicamente a mesma representa para a região e para o país.

Por incumprimento legal no que diz respeito à poluição ambiental, nomeadamente com a ausência de mecanismos que reduzissem a quantidade de emissão de gases poluentes, assiste-se à mudança de todo o sistema produtivo para a cidade vizinha Águeda. Em Albergaria-a-Velha restou apenas o edifício que ainda não tem notícia de reutilização ou adaptabilidade futura.  / pág. 205 /

Pedro Martins Pereira[19] bisneto do Comendador reúne esforços para manter a marca ALBA na família que tão bem a criou e representou. Em 2009, “após uma gestão que travessa sérias dificuldades, a ALBA, é envolvida no grupo LARUS, reconhecida pela sua experiência na gestão do design. O objectivo é a recuperação da ALBA, desenvolvendo o sector da Investigação e Desenvolvimento, remoçando uma parte dos artigos de catálogo, lançando produtos inovadores e reduzindo os custos de produção”[20]. Cria o PROJECTOALBA, numa continuidade da qualidade de alguns artigos que no momento da venda não deixa que se sejam comercializados pela METAFALB, por exemplo: as panelas de 3 pés em ferro fundido e os produtos de design urbano; colunas de iluminação, bancos de jardim, pilaretes, entre outros. Restam para a METAFALB os produtos essencialmente técnicos. Assume como primeiro objectivo tornar a ALBA numa empresa moderna e competitiva, que visasse sobretudo atender aos clientes com a máxima eficiência e qualidade.

Desde logo os órgãos directivos assumiram como primeiro objectivo tornar a ALBA numa empresa moderna e competitiva, que visasse sobretudo atender aos clientes com a máxima eficiência e qualidade.

  António Augusto Martins Pereira ao volante do carro ALBA produzido inteiramente na fábrica.  
  António Augusto Martins Pereira ao volante do carro ALBA produzido inteiramente na fábrica. http://blogdealbergaria.blogspot.pt/  

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Das Fábricas Metalúrgicas de Albergaria não saíram apenas objectos de uso doméstico e técnico. Aqui nasceram 3 automóveis, dois muito idênticos e um terceiro mais curto com destino a provas de competição. O primeiro ALBA em 1952,com a matrícula OT-10-54; e segundo em 1953, TN-10-82 e o terceiro em 1955, LA-11-18.

António Augusto de Lemos Martins Pereira, neto do Comendador, desde muito cedo manifestou o gosto pelo desporto automóvel. Beneficiando da posição de sócio gerente das Fábricas ALBA, aproveitando o momento da pequena explosão da indústria automóvel portuguesa e a influência automobilística italiana e francesa, concebe para si entre 1951 e 1952, um carro de competição o ALBA. Um veículo estruturado para a competição que tinha como base um motor FIAT de 1098 c.c. e um chassis de 508 c. Todo o carro foi desenhado por António Augusto, e em equipa com Francisco Corte Real, idealizam carroçaria e motor em alumínio para dar velocidade, estabilidade, leveza a um carro de competição. Um carro genuinamente português.

O sucesso foi imediato. Obteve várias vitórias que entusiasmou a impressa e adeptos do mundo automóvel. Entre 1952 e 1961 o ALBA foi conduzido por nove pilotos, António Augusto, Francisco Corte Real, entre outros e participou em 42 provas, tendo alcançado o primeiro lugar em 10 competições: venceu a I taça Cidade do Porto, Circuito Internacional, na classe de 1100 c.c., o primeiro lugar no Rali Vinho do Porto o segundo lugar no Circuito de Monsanto, etc.. O carro ALBA de 90cv., atingia os 200km/h e era um sucesso do engenho português.

Perante tão grande vivência e vincada presença, a empresa ALBA e o seu símbolo estão intimamente associados a uma família que deixou um legado muito importante na vida colectiva do concelho de Albergaria. A empresa foi o motor de desenvolvimento da vila. Era vulgar que cada família tivesse um, dois familiares ou mesmo famílias inteiras a trabalhar na unidade fabril.

Na memória colectiva dos Albergariense permanece o bom relacionamento da família Martins Pereira com todas as pessoas e forte empenho e consequente desenvolvimento de uma região que cresceu e se desenvolveu à custa do trabalho e dedicação de um povo. Também nos Açores, terra que o acolheu, conseguiu manter laços de verdadeira amizade.[21] O símbolo ALBA condiciona comportamentos saudosistas, fixa e incorpora a história de vida de um homem e da empresa num lugar que remonta ao século XII, conforme a Carta do Couto de Osseloa.

 

BIBLIOGRAFIA:

BISMARCK, Delfim Ferreira – Uma homenagem ao Comendador Augusto Martins Pereira, JORNAL DE ALBERGARIA, Nº 249, 7 de Outubro 2003, ANO XI.

BISMARCK, Delfim Ferreira, Associação dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha: Subsídios para a sua história, Ed. Associação dos Bombeiros Voluntários de Albergaria-a-Velha, Albergaria-a-Velha, 2000

BISMARCK, Delfim Ferreira – António Augusto de Lemos Martins Pereira 1927-2013. CORREIO DE ALBERGARIA, Nº 12, III Série, 6 de Fevereiro 2013

CAETANO, Lucília de Jesus, “A indústria no distrito de Aveiro – Análise geográfica relativa ao eixo rodoviário principal (EN1) entre Malaposta e Albergaria-a-Nova, Coimbra, CCRC, 1986, Vol. 1 e 2.

LARANJEIRA, José António da Piedade - “Fábricas Metalúrgica ALBA”, REVISTA FUNDIÇÃO; Ed. Associação Portuguesa de Fundição, Fascículo III; 1960 [s.p.]

LARANJEIRA, José António da Piedade – “Comendador Augusto Martins Pereira: subsídios para a sua biografia, Jornal de Albergaria, nº 120, 2ª Série, 19 de Maio 1998, ANO VI.

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MENDES, José M. Amado, "Cultura de empresa: uma nova dinâmica organizacional", Gestão e Desenvolvimento, nº 1, 1992.

MÓNICA, Maria Filomena, Os Grandes Patrões da Industria Portuguesa, Lisboa, Publ. Dom Quixote, 1990.

OLIVEIRA, Ivo; “Ilusões e ficções de modernidade: na fábrica Oliva de São João da Madeira”, Dissertação de Mestrado do Programa de pós-graduações Arquitectura, Território e Memória do Departamento de Arquitectura da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra; 2010

OLIVEIRA, Nélia Maria Martins de Almeida Oliveira, Cine Teatro Alba – 50 anos, Ed., CMAAV, Albergaria-a-Velha, 2000.

OLIVEIRA, Nélia Maria Martins de Almeida Oliveira; JESUS, Nuno Martinho, Ribeira de Fráguas a sua História, Ed., CEDIARA, Albergaria-a-Velha, 2011.

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PIRES, Ana Paula, “A metalurgia Portuguesa durante a 1a metade do século XX” in Engenho e Obra: Uma abordagem à história da engenharia em Portugal no séc. XX (Volume 2), Coord.

REIS, José, “Os espaços da indústria – a regulação económica e o desenvolvimento local em Portugal”,Ed. Afrontamento, Centro de Estudos Sociais, Lisboa, 1992.

RODRIGUES, José Barros, ALBA uma marca portuguesa de automóveis (1952-1961), Ed. Caleidoscópio, 2009.

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ROLLO, Maria Fernandes A industrialização e os seus impasses in História de Portugal (Dir. José Mattoso) vol. VII, Lisboa Circulo de Leitores, 1994. 

RODRIGUES, Manuel Ferreira, História da indústria Portuguesa, Mem Martins, editorial Europa América, 1999.

 

PUBLICAÇÕES PERIÓDICAS

Jornal de Albergaria 1954, 1998-2003

Correio de Albergaria 2013

Excertos de:

Jornal Açoriano Oriental 1945; 1948;1952;1954

Diário de Lisboa 1953

Comércio do Porto 1954-55

Jornal de Notícias 1953-55

Diário Popular 1950-55

O Século 1952

Beira Vouga 1952-55

Siglas: AMAAV: Arquivo Municipal de Albergaria-a-Velha

            CRPC: Conservatória do Registo Predial e Comercial

Agradecimentos: Dr. Delfim Bismarck, Dr.ª Lúcia Estrela, Eng.º Duarte Machado, Eng.º Pedro Martins Pereira, Sr. Albérico Madaíl, e também à Dr.ª Mª João Mocho e Dr. Carlos Melo Bento, de São Miguel.

Agradecimento especial ao Eng.º Duarte Machado pelas digitalizações de várias fotos.

Fotos do Arquivo Municipal de Albergaria-a-Velha, Imagoteca da Câmara Municipal de Aveiro e blogdealbergaria.


* Licenciada em História, Pós Graduada em Ciências Documentais nas Opções de Arquivo e Biblioteca e Documentação, e mestre em Gestão e Programação do Património Cultural, pela Universidade de Coimbra. Autora das seguintes obras: Auranca e a Vila da Branca; Cine-Teatro Alba: 50 anos; e co-autora da monografia Ribeira de Fráguas: a sua história.

[1] Augusto Martins Pereira nasceu às 6h da tarde no dia 27-11-1885, e baptizou-se no dia 8 de Dezembro na igreja da freguesia e paróquia de Sever do Vouga, então Diocese de Viseu. Filho de António Martins Pereira e de Emília Rosa Pereira de Vasconcellos, lavradores e naturais da mesma vila. É neto paterno de Francisco Martins Pereira e de Delfina Maria do Amaral; e materna de António Pereira de Vasconcellos e de Joana Maria. Foram padrinhos Joaquim Martins Pereira, casado, lavrador, morador nas Leiras; e madrinha a avó materna Joana Maria, casada. Casa com Maria de Jesus Pereira a 3 de Junho de 1903 e do casamento nasceram 3 filhos, o 1º nado vivo, o 2º Américo (22-07-1905) e Albérico (4-11-1912 em Ponta Delgada). Faleceu na freguesia e concelho de Albergaria-a-Velha, pelas 14h, a 2 de Maio de 1960. Está sepultado no jazigo de família no cemitério de Albergaria-a-Velha. Comendador de Mérito Industrial, em 1936.

[2] Laranjeira, José António da Piedade, In Jornal de Albergaria, 19-05-1998, nº 120, ANO VI, 2ª SÉRIE, pág. 8-9.

[3] Durante a guerra (1914-1918) nunca faltou ferro à Fundição Lisbonense da Rua dos Clérigos em Ponta Delgada, pois, apesar de proibida a importação, esse ferro em bruto era trazido por barco cargueiro que fundeava por detrás da Fundição (que ao tempo dava para o mar) e, de lá "roubavam" o ferro que depois era vendido à Fundição, perante a cúmplice indiferença da Polícia Marítima. Como é que o dinheiro chegava ao capitão do navio "roubado" é que permanece um segredo ainda hoje! Mas ele voltava sempre, pronto a ser novamente roubado...Ignoro se era apresentada queixa às autoridades (Informação cedida pelo Dr. Carlos Melo Bento).

[5] C.R.P.C. In (Ext. da insc. Nº 14, fls. 12vº e nº 15, fls.14vº do Livro E-1).

[6] Laranjeira, José António da Piedade, In: História da Indústria em Portugal; Fascículo III; 1960.

[7] C.R.P.C. In Livro de Matriculas dos Commerciantes em nome individual, nº. 20.

[8] Jornal Beira Vouga, nº 172, 15 de Outubro de 1952.

[9] http://www.astm.org/; http://www.google.pt/search?q=american+society+for+testing+and+materials&hl=pt-PT&tbo=d&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ei=PiHHULn3BIKIhQfHsoF4&sqi=2&ved=0CAQQ_AUoAA&biw=1080&bih=602.

[10] Seria pertinente elaborar um estudo sobre a organização do trabalho e processo produtivo, apesar de se desconhecera localização d a maior parte dos arquivos da empresa.

[11] Nota curiosa é o facto de, na Exposição Mundial, Expo 98, em Lisboa, o pavilhão de Angola, apresentar na sua decoração o ferro de engomar da fábrica Alba.

[12] Segundo alguns autores é atribuído ao arquitecto Silva Rocha.

[13] O Sport Clube Alba ao longo de vários anos estimulou o desenvolvimento da prática futebolística entre os jovens albergarienses. Conquista a Super-Taça Distrito de Aveiro, época 2009/2010. Foi ainda distinguido com o galardão de sócio honorário da Associação de Futebol de Aveiro, um dos clubes mais antigos e prestigiado do Distrito.

[14] Oliveira, Nélia; Jesus, Nuno; Ribeira de Fráguas a sua História, pág. 152.

[15] O último baile realizou-se em 1983-84 com a actuação do grupo musical Jáfumega, a partir desta data passaram a realizar-se em discotecas da região. Por este espaço actuou ainda, entre outros, a Orquestra Shegundo Galarza.

[16] Jornal de Albergaria, nº 1.804, de 10 de Novembro de 1954.

[17] Ver notas biográficas em Correio de Albergaria, nº 12, III Série, 6 de Fevereiro 2013.

[18] Pinho, António Homem de Albuquerque, Gente Ilustre em Albergaria, ed. CMAAV, 1994, pág.46-47.

[19] Nasceu em Albergaria, a 15 de Janeiro de 1956 e licenciou-se em Engenharia Metalúrgica pela Faculdade de Engenharia do Porto. Trabalhou vários anos na fundição familiar – Fábricas Metalúrgicas ALBA - onde foi Chefe do Departamento de Fundição e, posteriormente, Director técnico. Em 1988 funda a empresa Larus-Artigos para Construção e Equipamentos, Lda., que se dedica ao projecto, fabrico e comercialização de mobiliário urbano. É detentor de vários prémios: Prémio Nacional de Design de Mobiliário Metálico em 1991 e 1998-99. Em colaboração com Henrique Cayatte, trabalha na produção do sistema de sinalética da EXPO 98, tendo recebido o prémio pelas mãos do Presidente Jorge Sampaio.

[20] 19 Portofólio PROJECTOALBA (s.d.).

[21] O Comendador Martins Pereira era pessoa muito querida em S. Miguel, fez-se sócio do Micaelense Futebol Clube pagando uma cota que dava para resolver as despesas correntes do clube, que a recebeu durante a sua vida, através do senhor José Alves da Casa Tinoco (ainda existente na mão dos filhos). (Informação fornecida por Dr. Carlos Melo Bento).


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