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Clube de Comunicação Multimédia
Quase sempre é norma elaborar-se, no final de
cada ano lectivo, um balanço do que foram as actividades
desenvolvidas neste espaço de tempo.
Tirando umas ausências imprevistas por motivos
que não estiveram na nossa vontade, o Clube de Comunicação
Multimédia decorreu normalmente às terças, tendo permitido aos
elementos participantes, além de um saudável convívio e a
manutenção de um cordão umbilical após tantos anos de serviço à
escola, a realização de experiências interessantes na área das
novas tecnologias.
Além desta actividades semanal, o coordenador do
projecto procurou manter o seu apoio à escola, tendo aqui vindo
regularmente às terças e quintas, sem contabilizar os outros
dias passados na escola. Além de um apoio pontual à Biblioteca
da escola, com a recuperação de um razoável número de filmes
reconvertidos de VHs para DVD, que passaram a fazer parte do
espólio do arquivo multimédia, o projecto "Aveiro e Cultura" foi
e continua a ser mantido numa rotina quase diária, procurando-se
criar um arquivo colectivo de interesse para a comunidade.
A última actividade de Junho consistiu num
passeio de redescoberta da cidade. Desta resultou o texto
escrito pela Professora Fátima Bóia, que deveria constituir um
artigo a sair no último número do Boletim "Alternativas",
infelizmente ainda à espera de ver a luz do dia. Passamos a
transcrevê-lo, como remate desta espécie de relatório de
actividades:
Reportagem - Comentário - Balanço
Maria Fátima Bóia
10:17 (6 horas atrás)
XAIPE! Aí vai o texto prometido:
Um Olhar Matizado de Saudade, Núvens e Sol,
Véspera de Santo António. Uns tantos «cotas» do CLUBE MULTIMÉDIA
reservaram a tarde para a sua última actividade do ano lectivo.
Quinze horas. Céu plúmbeo. Ameaça de chuva.
Vontade férrea de exercitar músculos ao ar livre. Ânsia de
usufruir de olhos de repórter fotográfico em cima do
acontecimento.
Ei-los reunidos no pátio dos carros da ESJE. Vão
partir sozinhos?... Em pequenos grupos?... Ou em conjunto? E
qual o tema a surpreender? "Monumentos de figuras ilustres da
cidade", "Tradições de St.º António", "Liberdade de assunto",
sucedem-se os alvitres. Até que alguém pergunta «vocês já
viram as obras em curso no Museu de Santa Joana?»
Todos à uma, espevitados pela curiosidade,
exclamaram: – Bora lá!
Cada um, de máquina enfiada no pulso, rumou para
o mesmo destino.
«In loco», espreitou-se o melhor ângulo,
escolheram-se perspectivas, suspirou-se por imagens do passado
que teimavam em vir à memória... Ar de desalento colectivo
perante grades caídas no chão, jardim desaparecido e falta do
parque infantil!
Circundada a cerca, pára-se na Rua Príncipe
Perfeito, disparam-se os «flashes». O grande volume dos novos
edifícios a despontar «intra muros», com o número
diminuído de janelas, ora tapadas, outrora existentes, mata o
desejo de prosseguir ali fotografando.
Atrai-os o contraste com varandas floridas,
fachadas revestidas de modernas e coloridas cerâmicas, o escudo
em pedra da Casa da Pedricosa e os belos azulejos de lojas
ancestrais.
O sol deu um sorriso e guiou-lhes os passos para
o parque Infante D. Pedro, em busca da Natureza no seu melhor.
Para quase todos nós cenário de lazer da meninice
e juventude, fez-nos recordar, em voz alta e praticamente em
coro:
–
Ali, a sempre bonita e viçosa pérgola; além em baixo, os
baloiços e o velho «rink» – onde algumas vezes nos estatelámos
durante as tentativas de aprendizagem, soltos do corrimão –,
acolá o lago, os barcos, as canas da índia, a ponte, os patos...
Junto da Casa de Chá, alvejámos sofregamente os
azulejos Santo-Antoninos e os outros, com figuras e datas
marcantes. Pareciam pairar no ar as melodias de ontem, às
quintas e sábados, ecoando pelos nossos ouvidos prazenteiros.
Até lembrámos o Sr. Adriano, o guarda, e o seu simpático
sorriso, cheio de bonomia, que se tornava azedo se lhe
maltratassem o seu querido ambiente.
Chegou, porém, a hora do regresso. Apressámo-nos
a colher as últimas fotos – os azulejos da gruta, os bustos de
aveirenses homenageados, os recantos mais exóticos. Prendeu-nos
a atenção uma árvore, de grossas raízes à superfície,
entrelaçando o passado e o presente, firme na sua continuidade
pelo futuro.
No percurso de retorno, plantas, árvores, flores
e mais flores que alegram e vão oxigenando a cidade, entremeadas
com montras de variadíssimos objectos, também indispensáveis,
primitivos ou de alta tecnologia, provando que a mudança e a
modernização podem seguir lado a lado.
Renovar, sim, mas preservar as "relíquias"
patrimoniais é urgente. Oxalá um olhar de sol em redor rasgue
caminho para bem se aprender com os outros!
E uma vez no habitat do nosso quotidiano, face à
recolha de todas as imagens no computador do Mestre, demo-nos
por bastante satisfeitos.
No Clube rimos, no Clube convivemos, no Clube
aprendemos. Divulgámos actividades escolares, solidarizámo-nos
em momentos difíceis, em suma, COMUNICÁMOS.
Muito obrigado, HENRIQUE ! Obrigado também,
ESCOLA!
12 de Junho de 2007
Fátima Bóia»
Para o próximo ano lectivo, desde que os
elementos da Direcção da nossa Escola Secundária José Estêvão
assim o permitam, continuaremos a dar o mesmo apoio de sempre e
a realizar o Clube de Comunicação Multimédia.
O nosso obrigado à Escola e votos de Boas Férias
para todos os colegas.
O COORDENADOR DO PROJECTO,
Henrique J. C. de Oliveira
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