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IV
Basta
de espelhos! A realidade agora é diferente. Eu estou mais velha. E tenho vidas,
ligadas à minha, a respeitar.
Vou
até ao quarto das minhas meninas e vejo-as dormir um sono inocente e profundo.
Sei que os seus espíritos se debatem com os problemas da idade: com os amores
complicados, com as amigas traidoras, com os boatos falsos... mas espero que
nunca vivam o que eu vivi, que nunca lhes façam o que tu me fizeste... o que
fizeste a ti própria.
Se
estivesses aqui talvez também tu estivesses a contemplar os teus filhos. Mas não
estás. E serás sempre a adolescente bonita e simpática. Ainda te vejo
menina... como as minhas filhas. No fundo, é o que és. Envelheci e tu nunca
envelhecerás. Deixei de ser a tua amiga, passei a ser a tua mãe.
Dou
um beijo na testa dos meus dois anjos e imagino-te deitada ao seu lado. Também
a ti daria um beijo.
E,
finalmente, regresso ao meu quarto. Já não olho para o espelho. Sei, de antemão,
o que vou ver.
Adoro-te,
Guida, e nunca te esquecerei.
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