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Sinto que o mundo e a
vida
Se vão afundando num horizonte
Como luz que a definhar se apaga
Já de si própria escondida.
Assim nós, incipientes babosos
Edificamos muros de ignorância
Abrindo janelas a heróis e aventureiros
Dispostos à criação de estórias vagas
Com euforias sem nexo, sempre actuais
Nos luminosos e álacres paleios de verão,
Berço de indecorosas ilusões e traições
À sombra discreta do templo do perdão
Onde pontificam em seu brilho diamantino
O amor, a graça, a paz, a justiça, a honra
Ou tão só, a imitação do infortúnio de Fedra:
Fatalidade, sina, fado, sestro ou destino.
E tudo isto se reduz à passagem do momento
Não deixando pedra sobre pedra.
Setembro de 2026 |