Mário Augusto, Da necessidade de os filmes de Vasco Branco serem vistos, in: Vasco Branco. Retrospectiva Cinematográfica. Comemorações dos 100 anos do cinema português, Aveiro, Maio de 1996, pág. 11.

Da necessidade de os filmes de Vasco Branco serem vistos


Pode-se justificar de muitas maneiras a necessidade de ver os filmes de Vasco Branco, mas destaquemos esta: Sendo um dos representantes mais emblemáticos, senão o mais emblemático, do chamado “Cinema Amador” nacional, o conhecimento da sua obra fílmica torna-se indispensável para avaliar a produção deste cinema independente em Portugal nos anos 50-70. Se tivermos em conta as referências aos numerosos eventos em que participou um pouco por todo o Mundo, podemos mesmo perspectivar o que foi o cinema neo-profissional em termos internacionais

É urgente recuperar a herança deixada pelo cinema não-profissional português, impõe-se que os cinéfilos e o público em geral tenham acesso a imagens que constituem uma referência incontornável dentro do cinema feito em Portugal. Isto é tanto mais premente quanto os cineclubes e a Federação Portuguesa de Cinema e Audiovisuais (anteriormente denominada Federação Portuguesa de Cinema Amador) estão a retomar a sua actividade como entidades Produtoras de Cinema.

Vasco Branco é a prova viva da possibilidade dum cinema independente e descentralizado, com um percurso que apesar dos muitos condicionalismos e obstáculos, se consegue erigir numa obra de quase cinquenta filmes. alguns dos quais atingindo um elevado nível estético que os fez ser justamente reconhecidos em Festivais nacionais e internacionais como merecedores aos maiores elogios. Não era agora que ia ser esquecido.

P'Ia Secção de Produção de Cinema e Vídeo do Cineclube do Porto
Mário Augusto


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