Rita Pinto C. R. Miranda, Poesia, 2001.

Menina mulher...

Menina – mulher na luz da certeza,
Na espuma da onda,
No palco da pobreza.
Menina linda de olhos cavados,
De olhos marcados, de olhos chorados.
Mulher, que sonhas da vida?
Que pensas do sonho?
Que pensas da menina que és, que foste, que vive?
Menina – mulher de asas de nuvem,
De asas de vento,
De asas de tanto, de tanto, de tanto…
Sofrimento.
Menina que sentes o frio, que sentes a saudade;
Mulher que sentes o desejo, que sentes a vergonha,
Que sentes a vontade
De ser tudo o que sonhaste,
À noite, no escuro de uma vida envergonhada;
No escuro da noite de uma vida amedrontada.
E o medo, o que te diz?
E a raiva, o que te faz?
E o silêncio… esse que te proíbe, que te prende,
Que te mente…
E as vozes, o que te dizem?
Dizem que não vale a pena
Tentar, mas a frustração é o vício do perdão.
Dizem que é tarde demais,
Dizem sempre que já não dá mais,
Que nunca terás a coragem de olhar
A nova Aurora.
Menina – mulher, o que queres tentar agora?!...


Página anterior     Primeira página     Página seguinte