Outono

São lindas as cores duma tarde de Outono
bruxeleando, quando o vento forte passa:
dançam, airosas, naquele lençol de pano,
num bailado ingénuo, de simulada graça.


Amarelo, roxo, azul, vermelho e rosa
dão cor e misticismo à roupa no estendal.
A roupa, graciosa, dança poesia e prosa...
E as cores do arco-íris bailam no avental.


E o vento corre em toda a direcção;
preenche o cenário com lúgubre canção
e, forte, leva consigo a roupa já enxuta.


E às folhas inseguras arrasta-as também
(a força do vento, ninguém a detém).
Tudo baila à frente daquela dança bruta.

            Vieira de Leiria, 1953

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