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onde as maçãs crescem, Leiria, 2020, 201 páginas

 

Breve apreciação crítica

 

No mesmo formato das publicações anteriores, ou seja, com as dimensões de 125x190 mm e cerca de 200 páginas, este local de macieiras poéticas está dividido em oito partes, cada uma delas bem recheada de apetitosas maçãs, que seguramente farão crescer água na boca àqueles que apreciam navegar no universo poético das palavras. Este é o número 6 da colecção Poiesis, da editora leiriense «Hora de Ler».

Não podemos afirmar que o livro está profusamente ilustrado, mas podemos dizer que uma vez mais ficamos sem saber a quem se devem as ilustrações que vamos encontrando, disseminadas no livro, geralmente nos começos de cada uma das oito partes em que ele se divide. E preto sobre preto é ilegível, a menos que consigamos que as letras pretas da preta capa sejam reflectidas por um raio de luz. E com uma boa dose de paciência, que nem sempre é atributo da mortal gente, o texto «demi-caché» (bastante mais sonante que «camuflado») poderá ser lido.

Já agora, se gostam mesmo de poesia e estão familiarizados com a escrita poética de portugueses de gerações que já lá vão, leiam o texto da página 111. Talvez ele vos faça evocar um português que viveu neste minúsculo País de marinheiros, e que o seu País evoca nos versos que escreveu. Não de forma pessimista, mas de modo a espicaçar a vontade de viajarmos e ficarmos a conhecê-lo.

Eu fui um dos que teve a sorte de conhecer o poeta em miúdo. Não pessoalmente, mas «SÓ» através da poesia que ele escreveu. E apesar de ser um miúdo, li-o «SÓ», encantado com o universo que ele me permitia conhecer pela força imaginativa das palavras, mas também ajudado pelas imagens de uma edição de 1913, magnificamente ilustrada, que existia na biblioteca do meu avô materno, livro que ainda hoje conservo como uma preciosidade, ao lado de outras árvores escritas da mesma época, guardadas a um canto da prateleira superior da estante do meu escritório. Mas esta é uma preciosidade diferente de outras, muito mais preciosa na medida em que conserva, por cima do nome de António Nobre, a assinatura com o nome completo do meu avô Chico.

Infelizmente, para o miúdo que eu era, a árvore secou pelos meus 10 anos. E não mais pude apreciar as delícias do quintal do meu avô e as carícias que ele me prodigalizava. Tudo isto em terra de algumas macieiras, mas sobretudo de oliveiras. E ainda hoje guardo, no quintal vizinho que na minha memória se mantém, não a macieira que lá não havia, mas a magnífica figueira para a qual trepava feito macaco e que me brindava com uns figos suculentos, verdadeiro melaço, que até a passarada sabia apreciar. Mas isto são árvores que há muito secaram.

Como por enquanto nos vamos limitando a respigar uma ou outra maçã, ainda não sabemos se alguma imagem irá acompanhar os textos que iremos eleger. A ver vamos, como dizia o cego.

Contentem-se com a amostragem fornecida e cliquem nas hiperligações que estejam a cores. Se ficarem com apetite para mais, na Ficha Técnica encontram como encomendar um volume e dele colher os frutos das macieiras que Carlos Lopes semeou.

Aveiro, 2 de Outubro de 2021

H. J. C. O.

 
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