Escola Secundária José Estêvão, n.º 5, Out. - Dez. de 1991

Quando, há alguns anos, felicitávamos o director de um Museu do distrito de Aveiro pela rica colecção de conchas que tinha sido oferecida a esse estabelecimento cultural, ficámos um pouco abalados pela resposta quase inocente que recebemos: «Sabe, as conchas constituem uma existência do Museu que menos me tem interessado.»

No velho Liceu de Aveiro, hoje Escola Secundária José Estêvão, sempre existiu, no chamado Museu de Ciências Naturais, um conjunto de exemplares de conchas a que, parece-nos, nunca se deu a devida importância, apresentando-se, embora classificadas à partida, como um amontoado inútil, espécie de concheiro arrumado displicentemente em armários sem qualquer intenção docente ou didáctica de tipo pragmático.

Ao regressarmos à nossa Escola, sentimos alguma mágoa ao verificarmos o abandono a que estes belos especímenes tinham sido votados.

Só com intenção de ser útil e pensando ser possível animar a funcionalidade do Museu dentro de outras perspectivas, propusemo-nos, ainda que isso não fosse da nossa área, e com a preciosa boa vontade e acção de outros colegas, dar vida a esse pequeno "cemitério", chamando a atenção para a grande riqueza cultural que daí poderia surgir, sob o ponto de vista biológico, linguístico, geográfico, histórico-económico, etc.

Por isso mesmo, e procurando atingir outros objectivos, demo-nos ao grato prazer de fazermos alguma investigação, elaborando o texto que vem a seguir. Dentro de outros princípios, que procuram pôr de lado velhas ideias sobre museologia, rejeitamos a existência de museus como amontoados de exemplares quase somente dignos de serem resguardados.

Com uma regulamentação conveniente, qualquer museu deve ser aberto e do seu espólio se deve dar conta não só aos interessados mais directos, mas também a toda a comunidade, no seio da qual ele se encontra implantado.

Para além de se poderem satisfazer meras curiosidades, entendemos que deve ser um exemplo vivo de cultura e um meio propício à aquisição de novos conhecimentos.

Somos também da opinião de que as Escolas Secundárias poderiam e deveriam possuir instalações adequadas à organização de um museu que abrangesse as várias áreas do saber humano. Supomos que haverá suficiente material, falta, de facto, um conjunto de instalações a isso dedicadas. Pensamos que não faltaria espaço para tal, desde que tivessem funções polivalentes. Bastaria que as entidades superiores quisessem, estudassem o problema caso a caso e segundo certos critérios e prioridades.

Aliás, Escola Secundária José Estêvão

 

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