AVENIDAS, RUAS, PRAÇAS E LOCAIS DE AVEIRO

Praça Marquês de Pombal

Quinta-feira, 26 de Novembro de 1998 – pág. 12 Marta Duarte

Largo do Governo Civil. Clicar na imagem.

Após a instauração da República foi dado o nome do Marquês de Pombal à praça que ainda hoje se chama assim. Reconhecimento da edilidade ao grande estadista, benfeitor e incentivador da vila de Aveiro que elevou à categoria de cidade em 1759.

Na primeira década do século XX, Aveiro sofreu uma das suas maiores transformações urbanísticas e iniciou uma das obras que mais celeuma desencadeou.

A Praça do Marquês de Pombal, que há cerca de dois séculos era um emaranhado de pequenas ruas e vielas, tornou-se um espaço amplo e airoso: o Largo do Governo Civil, como vulgarmente é denominado.

Em 1759, no local do velho Terreiro das Carmelitas e quase encostada às muralhas, foi iniciada a construção do palácio do visconde de Almeidinha, onde se realizavam memoráveis e caritativas festas de grande concorrência e elegância. Em 1852, quando a rainha D. Maria II visitou Aveiro, o palácio serviu-lhe de residência.

Em 1888, o Dr. José Maria Barbosa de Magalhães, presidente da comissão executiva delegada da Junta Distrital, propôs que nas ruínas do palácio do visconde de Almeidinha – destruído por um incêndio na noite de S. João de 1871 – se erguesse um amplo edifício para a instalação das principais repartições de feição distrital. A elaboração do projecto foi confiada ao Eng.º José Maria de Melo de Matos, que deu o seu trabalho por concluído a 15 de Setembro do mesmo ano. O novo edifício, de 42 metros de comprimento por 16 de largura, foi inaugurado em 1901. Ali funcionaram, além do Governo Civil e da Junta Geral do Distrito, várias repartições públicas.

Ao pretender alargar a rua em frente ao novo edifício do Governo Civil, a Câmara Municipal de Aveiro provocou, em 1905, uma das mais apaixonadas polémicas locais e até com carácter nacional. Isto porque o alargamento iria mexer com as dimensões do Terreiro e, principalmente, com o próprio convento das Carmelitas.

O convento, da invocação de S. João Evangelista, foi mandado construir, a partir de 1610, por D. Brites Lara, destinando-se à Ordem dos Carmelitas Descalços. Manteve-se intacto até 1905, após o que toda a ala norte do claustro foi cortada e desventrada. A igreja permaneceu, talvez por milagre! Numa das alçadas do templo e na antiga Rua das Carmelita (local de concentração de judeus) foi colocada uma placa toponímica com o nome de Joaquim de António de Aguiar, vulgarmente conhecido por "mata-frades". Com sinais visíveis de violenta amputação, no que restou do convento carmelitano, estão agora as instalações da Polícia de Segurança Pública.

Em frente ao edifício do Governo Civil, do outro lado da praça, pode-se apreciar uma obra da segunda metade do século XIX – Casa de Santa Zita, desde 20 de Janeiro de 1957. Foi propriedade do visconde da Granja, a quem coube a remodelação do palacete, valorizando-o com uma das melhores obras de azulejaria da conceituada fábrica Fonte Nova. Esta iniciativa evitou que a casa fosse demolida, dando passagem à projectada avenida que ligaria o Governo Civil à Estação de Caminhos-de-Ferro.

Na década de 1940, o Eng.º Duarte Pacheco mandou construir o edifício dos Correios, destinado a substituir a velhinha estação que funcionava num dos antigos edifícios fronteiros à Câmara Municipal de Aveiro.

Do outro lado da praça, o Colégio do Sagrado Coração de Maria deu lugar ao Palácio da Justiça, construído, na década de 1960, por uma vasta equipa de presos, e inaugurado a 8 de Julho de 1962.

Ao lado, uma bela vivenda do século XVII, pertença do Dr. Armando de Azevedo, foi demolida e, no mesmo local, levantaram um prédio onde hoje se encontra um café e diferentes estabelecimentos comerciais. Nos andares de cima, moradias, escritórios de advocacia e consultórios médicos completam o conjunto.

O quiosque da Sr.ª Cândida Raposo foi o primeiro comércio a aparecer na Praça de Marquês de Pombal, em meados do século XX.

Embora mais despida de árvores e canteiros, a famosa Praça do Marquês de Pombal é um dos principais logradouros aveirenses.

Muito mais se poderia dizer sobre este espaço, mas, desculpem os leitores, outras oportunidades surgirão.

 

Hoje… Alguns problemas

Localizada numa zona estratégica e alvo de intenso movimento é para a Praça do Marquês de Pombal que confluem algumas das importantes artérias da cidade. É um espaço onde se aglomeram vários edifícios e repartições públicas, de grande procura por parte de toda a população do distrito.

As principais queixas dos comerciantes são a falta de estacionamento, a pouca iluminação e um deficiente escoamento de águas. Alguns consideram que o parque automóvel, ao lado da PSP, está pouco aproveitado e que os parcómetros não resolvem o problema de quem ali vive ou está estabelecido. Talvez a implementação de um cartão de utente atenuasse essa constante dificuldade.

Com a aproximação do Natal, as ruas de Aveiro adquirem nova luminosidade e alegria. A Praça do Marquês de Pombal não será excepção.

 

Sabia que...

O projecto da construção da actual Praça do Marquês de Pombal – iniciativa do então presidente da Câmara, Gustavo Ferreira Pinto Basto – originou, em 1905, uma forte polémica sobre a destruição de uma parte do extinto convento das Carmelitas. Mobilizaram-se opiniões contra e a favor, discutiu-se o caso nos jornais, publicaram-se folhas soltas e estudos históricos. Os que eram contra o corte do edifício recorreram a Ramalho Ortigão, grande escritor e crítico de arte, para lhes dar o seu parecer relativamente à obra projectada. A 3 de Maio do mesmo ano, Ramalho Ortigão emitiu uma opinião favorável à manutenção integra do edifício. De nada valeu! A pouca sensibilidade a questões ligadas à preservação do património arquitectónico, histórico e cultural da cidade, permanece.

 

Praça do Marquês de Pombal, tal como podia ser vista em 1998.

 

 

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