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Aos catorze dias do mês de Setembro de dois mil
e quatro,
pelas dez horas, na sala seis da Escola Secundária de José Estêvão,
reuniu o Departamento de Língua Portuguesa e Clássicas, sob a presidência
da respectiva Coordenadora, professora Graça Rodrigues. Da ordem de
trabalhos, constavam os seguintes pontos: 1-Informações; 2-Propostas para
o Plano Anual de Actividades; 3- Critérios e grelhas de avaliação; 4-
Planificação anual.
Estiveram ausentes os professores que a seguir se mencionam: Henrique
Oliveira (em exames médicos), Susana Santos e Alda Oliveira (em serviço
oficial, numa reunião do projecto RIA), os docentes Albano Rojão, Ana
Paula Medeiros, Alcina Reis, Luísa Monteiro, Luzia Blard e Dora Sardo,
optaram por estar presentes na reunião do Departamento de Línguas
Estrangeiras, consoante estatuído no Regimento Interno.
Lida
a acta da reunião anterior, a mesma foi aprovada com três abstenções.
Sobre o primeiro ponto, a coordenadora começou por dar as seguintes
informações: há a hipótese de se organizar uma feira de livro na escola,
por proposta da editora Europa-América; teremos o desenvolvimento de um
projecto sobre “Aves” adstricto à área de CTV; sendo o Dia Europeu sem
Carros (22 de Setembro) o dia imediatamente a seguir ao do arranque das
aulas, o Conselho Pedagógico achou não ser pertinente a participação da
escola, a fim de se evitar a interrupção das actividades lectivas; o
calendário das actividades do arranque do ano lectivo está afixado,
contemplando as diversas reuniões e a recepção dos alunos, bem como uma
reunião com Encarregados de Educação no dia 23 às 18.45, dia em que, por
esse motivo, não será leccionado o primeiro tempo da noite; no dia 26
comemora-se o Dia Europeu das Línguas que, recaindo num domingo, poderá
merecer destaque em dias adjacentes.
Sobre o ponto dois da ordem de trabalhos, regista-se que se manterão as
actividades já mencionadas na anterior reunião de departamento; assim,
será dada continuidade às visitas de estudo já habituais ao Museu de
Aveiro, ao Museu Romântico, o roteiro queirosiano; organizar-se-á a Semana
das Clássicas e dinamizar-se-á o Prémio Literário José Estêvão. Mantém-se
em aberto a hipótese de apresentação de outras propostas que, entretanto,
ainda possam surgir.
Sendo este o último ano do triénio da vigência dos órgãos de gestão da
escola, a partir de Março-Abril, deverá ser trabalhado, sob a alçada do
Conselho Pedagógico, o Projecto Educativo, pelo que se solicita a atenção
e a colaboração de todos para a revisão do mesmo. Referindo que o tema
global da Área-Escola é “Como Tornar a Escola Mais Atractiva”, e que a
psicóloga escolar deverá, a esse propósito, ter um papel importante na
Feira das Profissões, a Coordenadora alertou ainda todos os presentes para
uma posição abordada em Conselho Pedagógico que considera ser necessária a
definição de estratégias de “marketing” (sic) mobilizadoras de alunos e
comunidade educativa em geral, sendo certo que a nossa população discente
está a decrescer, havendo procura de outros estabelecimentos próximos,
como comprovou especificamente o recente caso da abertura do curso de
Línguas e Literaturas no novo décimo ano na Escola Jaime Magalhães Lima, à
revelia da rede escolar que o atribuía apenas à Escola Secundária José
Estêvão.
A
este respeito, José Caseiro mencionou um trabalho sobre a avaliação
interna da escola, em curso no âmbito do Projecto Comenius que coordena,
trabalho esse que visa, para já, radiografar a imagem da relação
escola-família-comunidade em diversas vertentes. Sem querer nem poder
adiantar resultados precoces antes de eles serem apresentados aos órgãos
competentes, e porque os dados inquiridos ainda não estão todos tratados,
disse, no entanto, que embora a avaliação global da escola feita pelos
pais e encarregados de educação seja inteiramente positiva, há elementos
que poderão ajudar a escola a repensar-se por dentro e a acautelar alguns
factores negativos, melhorando a imagem e o clima da escola que somos e da
escola que queremos ser.
Tendo surgido a interpelação para que alguns desses aspectos fossem desde
já apontados como primeiro contributo, foi aberto um espaço de diálogo,
balanço e “desabafo” (sic).
Abílio Tarrinha começou por apontar como pedagogicamente contraproducente
a mancha horária do sétimo ano predominantemente de tarde – facto contra o
qual lembrou ter lutado vencido em Conselho Pedagógico quando foi
Coordenador de Departamento em anterior mandato – a sobrecarga de
estagiários nas mesmas turmas do terceiro ciclo, a inexistência de
Director de Turma em anos iniciais de ciclo como o sétimo e o décimo, a
não-salvaguarda de critérios pedagógicos como a continuidade, a
distribuição de serviço sem que os interessados sejam ouvidos ou sequer
informados, podendo ser indicados exemplos concretos.
Alice Pinho interveio mencionando um caso específico causador de
desconforto, o da colega Fátima Nunes, cuja distribuição de serviço sofreu
três alterações após vinte e três de Julho, as quais chegaram ao
conhecimento da visada por mero acaso, por conversa com outros docentes ou
pela afixação de informações nos placardes, já no decurso de Setembro, a
saber: primeiro, a perda de uma turma de décimo primeiro ano de Língua
Portuguesa, por pulverização do 10º B em Agosto (a colega integrou a
equipa de constituição de turmas e nem nessa qualidade soube da posterior
alteração do trabalho deixado feito); segundo, a atribuição de uma segunda
Direcção de Turma diferente da do décimo primeiro ano que já tinha (o
décimo ano está agora em pleno lançamento da revisão curricular);
terceiro, a junção na mesma aula de Língua Portuguesa de 17 alunos do
curso tecnológico de Design, de que era titular no ano transacto, com 10
alunos do curso tecnológico de Comunicação a que outra docente não deu
continuidade, com a agravante da professora Fátima se manter como
Directora de Turma dos alunos de Design. A professora no uso da palavra
disse ainda entender-se como razoável que o Conselho Executivo ou a escola
não tenham a capacidade ou o dever de telefonar às pessoas durante o
período dito de férias, mas achar-se sensato e imprescindível a prestação
de informação logo que se retorna ao serviço, até porque muitas vezes
podem ser apresentadas outras propostas alternativas de fácil
exequibilidade, sendo este o melhor caminho para evitar suspeições,
mal-entendidos, desagrados e desmotivações pessoais.
Fátima Nunes leu então um texto por si redigido e que se passa a
transcrever: “Após alterações na distribuição de serviço inicial que,
apesar de sempre desagradáveis, compreendi e por isso aceitei, soube
apenas ontem, no dia 13 de Setembro, que uma das turmas, a única que
me garantiria a satisfação profissional de continuar o trabalho de
Directora e Turma e de Professora de Português desenvolvido no 10º ano,
foi “fundida” com outra, ou seja, as aulas da maior parte das disciplinas
vão ser leccionadas a um conjunto de alunos formado por 17 alunos
do Curso Tecnológico de Design e por 10 alunos do Curso
Tecnológico de Comunicação. Por não perceber as razões desta fusão
de turmas de Cursos Tecnológicos e por me parecer que o sucesso escolar
dos Alunos e a motivação dos Professores não passam por processos deste
tipo, quero deixar o registo da minha desilusão e da minha preocupação.” (sic).
De
seguida, Manuela Seiça Neves propôs que ao Conselho Executivo fosse dado
conhecimento do descontentamento dos professores deste departamento sobre
estes factores de desagrado e sobre a maneira como por vezes são
“atendidos com algumas atitudes reprováveis” (sic).
Fátima Bóia continuou, acrescentando que também alguns aspectos de
mentalidade necessitam de ser revitalizados e reajustados para que se
evite o ambiente de tensão vivido na escola. Há, disse, princípios básicos
de que se não deve abdicar por serem imprescindíveis a todo o bom
funcionamento: o respeito por pessoas e instituições, a lealdade de todos
para com todos, o diálogo, a solidariedade, o fornecimento, pelas vias
adequadas, do máximo de informação clara, rigorosa e atempada, enfim, o
exercício da democracia com base na escuta de órgãos representativos e de
titulares de cargos.
José
Caseiro indagou sobre as razões do afunilamento de turmas em anos de
prosseguimento de ciclo – os normativos serão diferentes dos que impõem um
número mínimo de alunos para abertura de turmas – e sugeriu que fosse
pedido, ao Conselho Pedagógico ou ao Conselho Executivo, o acesso aos
fundamentos legais dessas junções que parecem ser estranhas à generalidade
dos professores e de que resultam turmas com excessivo número de alunos
nalgumas disciplinas.
Maria Manuel Rocha aduziu a sua experiência pedagógica negativa com turmas
compactadas em anos transactos, em que os alunos de diferentes
proveniências se mantiveram sempre afastados, persistindo, inclusivamente,
em sentar-se em filas separadas, não se tendo verificado entrosamento e
convívio entre eles.
A
Coordenadora informou, então, que algumas dessas junções e consequentes
alterações na distribuição de serviço aconteceram quando ela,
Subcoordenadora de Português, e as Sucoordenadoras de Francês e Latim já
estavam de férias.
Abílio Tarrinha acentuou neste facto o desrespeito pelo trabalho das
equipas, tanto mais que ficaram por dar os posteriores esclarecimentos e
as imprescindíveis informações por parte da pessoa responsável pela
coordenação da equipa de elaboração dos horários, a professora Odete do
Conselho Executivo, ou de alguém em quem essa competência tenha sido
delegada. Especificou ainda, no seu caso particular, três situações
desagradáveis: a perda de horas, por difusão dos alunos de Desporto do
décimo segundo ano provenientes da turma de que era professor de Português
e Director de Turma; a perda de uma turma de Francês do décimo segundo
ano, de continuidade também, turma única desse nível de que ele era
titular desde o décimo ano, que lhe foi retirada e atribuída à colega
Luísa Monteiro, posicionada acima dele na lista de graduação profissional;
e outra situação, relativa ao serviço nocturno, sob a supervisão do
professor João Paulo do Conselho Executivo: a previsão que inicialmente
apontava para uma redução do número de alunos, turmas e professores parece
ter sido, a seu ver, “subitamente” alterada em Setembro. O professor em
exercício da palavra frisou que, depois de questionar, após o regresso de
férias, as alterações ocorridas e o facto de estar com falta de horas, de
nenhuma solução encontrada lhe foi prestada, entretanto, informação
pessoal e directa, até que, no final da semana passada, deduziu a sua
distribuição de serviço a partir das informações parcelares afixadas nos
placardes da sala de professores.
Por
seu turno, Paula Tribuzi, destacando o seu caso pessoal, manifestou o seu
descontentamento e a sua estranheza por estar, no regresso de férias, com
horário lectivo incompleto, tendo-lhe sido retiradas aulas e atribuído o
cargo de Coordenadora Pedagógica sem aviso ou auscultação prévia. Disse
ainda ter estado presente noutras escolas da cidade aquando da
apresentação de novos manuais e ter ficado agradavelmente surpreendida com
as condições de trabalho aí oferecidas: salas equipadas com projectores,
vídeo, dicionários, aquecedor, etc., põem em destaque as situações
precárias e deficientes em que trabalhamos na nossa escola, que nos
impedem de utilizar recursos e materiais de apoio pedagógico exigidos
pelos novos programas e os novos manuais.
Outros professores corroboraram esta constatação, já relatada em
anteriores reuniões.
Embora reconhecendo as dificuldades orçamentais com que a escola se
debate, José Caseiro indicou outros pontos negativos que extravasam a
esfera desse facto: a existência de funcionários auxiliares da acção
educativa inactivos ou em funções inadequadas, alguns livros de ponto que
não são abertos, faltas indevidamente marcadas, salas, sanitários e outros
espaços onde a simples manutenção e a limpeza escasseiam. Referiu também a
ideia, cada vez mais vulgarizada junto da população discente, de que “nas
outras escolas os professores dão melhores notas” (sic). Se é verdade
comprovada que os nossos alunos obtêm melhores resultados nos exames
nacionais, isso é apenas “uma vitória moral” (sic), porque a classificação
interna de frequência tem muito peso.
Alice Pinho acrescentou que também alguns aspectos de mentalidade e de
funcionalidade dos serviços administrativos carecem de melhoria, dada a
forma menos simpática como por vezes são atendidos os docentes, chegando a
haver discrepâncias entre as interpretações de normas e avisos internos
dentro da secretaria e entre esses funcionários e o Conselho Executivo,
entre outras ocorrências que nada contribuem para a boa imagem da escola.
Maria Manuel Rocha reforçou a deseducação por parte de alguns auxiliares
da acção educativa, as condições impróprias das casas de banho do primeiro
piso que servem professores e funcionários e onde frequentemente falta,
por exemplo, o básico papel higiénico, e reiterou novamente a estranheza
pela junção de turmas e o excesso de alunos, quando é consabido que o
combate ao insucesso em língua portuguesa passa pelo aperfeiçoamento da
expressão escrita, que outras disciplinas eventualmente valorizarão ou
não, problema que considerou importante para futura e mais abrangente
reflexão; realçou igualmente como necessária a aferição de critérios de
actuação perante situações correntes como o uso de chicletes e telemóveis
nas aulas e os atrasos nas entradas. E indagou para que servem, afinal, as
actas dos Conselhos de Turma e os relatórios dos Directores de Turma se
muitos dos problemas persistem e as sugestões aí registadas não se vêem
acolhidas.
Em
jeito de síntese, e veiculando o parecer geral do departamento, a
Subcoordenadora de Latim, Rosa Prata, classificou como importante e
salutar a troca de impressões agora feita, até porque desconhecia pontos
ligados à distribuição de serviço, visto que está a iniciar funções no
cargo.
Por
seu turno, a Coordenadora Graça Rodrigues lembrou ao plenário que a tarde
de quarta-feira estará destinada a reuniões, porque as compensações já
estão incluídas noutros espaços dos horários e afirmou que essa reflexão
conjunta sobre a imagem da escola poderá ser posteriormente continuada
como contributo benéfico para a melhoria.
Abílio Tarrinha, corroborando a positiva abertura ao diálogo, porque se
tocaram pontos sensíveis e porque por vezes se deturpa a intenção da
crítica construtiva, sugeriu bom senso no modo como a reprodução da
conversa venha a ser feita junto dos órgãos próprios, sem que se adultere
o espírito do debate.
Sobre o ponto três da ordem de trabalhos, a Coordenadora pediu que os
critérios e as grelhas de avaliação sejam revistos até sexta-feira, dia em
que esses documentos serão levados à aprovação do Conselho Pedagógico para
posterior entrega obrigatória a todos os alunos e encarregados de
educação. Frisou que, de acordo com anterior deliberação daquele órgão, no
terceiro ciclo os testes continuarão a ter uma apreciação qualitativa,
segundo a nomenclatura em uso na escola, enquanto que no secundário se
passará a usar a notação quantitativa global da prova, devendo todos os
enunciados conter as cotações de cada questão.
Já
no ponto quatro da ordem de trabalhos, e com vista à elaboração da
planificação anual das actividades lectivas, acertou-se a calendarização
das reuniões: dia catorze de Setembro, pelas quinze e trinta, Língua
Portuguesa do décimo primeiro ano; dia quinze, pelas catorze e trinta,
Língua Portuguesa do décimo ano; os restantes níveis reunirão em horário
oportuno, a combinar entre todos os professores implicados.
Nada mais havendo a
tratar, desejando um bom ano de trabalho a todos, a Coordenadora deu por
encerrada a reunião; dela se lavrou a presente acta que, depois de lida e
aprovada, vai ser assinada pela presidente e por mim, que a secretariei.
A
Presidente da Reunião
Graça
Rodrigues
A
Secretária
Maria Alice Pinho Silva
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