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Aspecto do centro de Aveiro - Canal Central - 2008.
“Não sou nada
disso a que me referi há pouco e, contudo, sinto-me contente por haver nascido
no Distrito de Aveiro. Contente porque a terra é maravilhosamente bela, duma
beleza deslumbrante, variada, jamais repetida, desde as suas montanhas
verde-escuras, por onde deslizam múrmuros arroios, aos vales onde o pão dos
homens cresce vizinhando flores, muros floridos de lírios e malmequeres, janelas
engalanadas de cravos e sardinheiras, e de aí, através de mil relevos
orográficos, duma gama infinita de cores, até as suas praias douradas, em frente
dum mar onde os portugueses embarcam o seu drama e o sonho duma aventura que não
podem ter na Pátria.”

Aspecto do centro de Aveiro - Canal Central - 2008.
“Começam a
luzir no céu e na Ria, ao mesmo tempo, miríades de estrelas. É a Ria também
sítio para os que querem descobrir novas terras à proa do seu barco e para os
que amam a luz acima de todas as coisas. Eu, por mim, adoro-a. É-me mais
necessária que o pão. E é este, talvez, o ponto da nossa terra onde ela atinge a
beleza suprema. Na Ria o ar tem nervos. A luz hesita e cisma e esta atmosfera
comunica distinção aos homens e às mulheres, e até as coisas, mais finas na
claridade carinhosa, delicada e sensível que as rodeia.”
Manuel da Costa
e Melo (1913-2002)
Advogado, Escritor
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“Mas, com vento, formam-se cavalinhos de espuma branca soltos ao vento, que
quando presos às pontas do junco, fazem nascer água na boca de desejos de
algodão doce, daquele que se vende nos carrinhos que palmilham a Costa Nova à
procura da nossa infância.”

Salinas de Aveiro. Troncalhada.
“Mais adiante, e por debaixo da actual sede do clube dos Galitos à qual os
arquitectos não souberam dar a traça que a enquadrasse com o local, ficava a
livraria reis, onde os aveirenses iam beber sabedoria e ideias libertadoras.”
João Pereira de
Lemos (1932-…)
Escritor, Desenhador-Projectista, Pintor de azulejos
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Canal Central, Capitania e Fórum.
“Formoso é o
aspecto de Aveiro que, sentada num extenso tapete de verdura, sob o azul dum céu
puríssimo, vê deslizar a seus pés as plácidas águas da ria… esse lago em que se
unem em fraternal abraço as águas do Oceano com as do Vouga.”
José Augusto
Marques Gomes (1853-1931)
Jornalista, Historiador, Escritor
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Aspecto da cidade de Aveiro junto ao Canal Central -
2008
“Aveiro
Oh! Cidade lendária, és um poema
Que outrora andou nos lábios das tricanas!
(…)
És um jardim em flor, lindo cantinho
Onde os canais se cruzam com beleza;
Onde o Vouga desliza de mansinho;
Fazendo relembrar outra Veneza!
(…)”
Silva Peixe (1902-1976)
Poeta, Pintor
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