Raspanete do comandante

 

Eu não vos dizia, há pouco? Disse que ia pôr travão nos diálogos, que passaria ao problema do raspanete, e acabei por reproduzir a conversa com o furriel Rodrigues, que nem sequer tinha em mente. Possivelmente, este era também um dos espinhos que me estava a causar problemas, que me estava a dificultar o arranque da escrita. Mas fluiu automaticamente do meu subconsciente para o papel. E sinto-me muito melhor. Foi como se me tivesse confessado a um padre mouco. Estou muito melhor, mas não totalmente óptimo. Tenho outros espinhos a moerem-me lentamente. E tenho ainda um grão de areia a incomodar-me a planta do pé. Vou ter de me descalçar e sacudir bem os sapatos, abordando o episódio do raspanete. Ficam vocês a saber o que me aconteceu na tarde de sábado e eu com menos um arenito a moer-me o espírito.

Voltemos ao momento exacto em que os factos tiveram início. Saltemos do momento presente para o dia doze deste mês, um sábado que deveria ter sido um fim de semana passado em Quimbele, se não tivesse tido, a seguir ao almoço, um pedido imprevisto do Tenente Oliveira da CCS. Foi ele a causa primeira do raspanete que levei do Comandante de Batalhão. A causa primária, porque a causa segunda esteve em mim próprio. Não deveria ter-me deixado levar pelas facilidades do tenente!

O tenente Oliveira é um oficial de carreira. É casado. Tem neste momento a mulher e o filho junto dele, em Sanza Pombo. A seguir ao almoço, durante a hora da bica no Briosa Bar, fez-me um pedido, mesmo na frente dos restantes oficiais.

— Alferes Ulisses, neste momento, não faço qualquer falta aqui em Quimbele. O nosso segundo comandante e o capitão Glória Dias dispensaram-me do serviço. E eu gostaria de passar o fim de semana em Sanza Pombo, com a minha família. Seria possível levar-me a Sanza Pombo?

— Levá-lo como? Só se for na Berliet. E se o nosso major autorizar. Mas isso ainda vai demorar um bocado. Tenho de arranjar um condutor e um grupo de homens, para irem connosco. E temos de nos ir vestir. Não podemos ir assim, com esta farda. Temos de enfiar o camuflado...

— Para ir a Sanza Pombo, alferes Ulisses?

— Claro!

— Basta o alferes e o condutor com dois ou três soldados. Vai mesmo assim.

— Assim?! De calções e mangas curtas?!

— Claro. Mesmo assim. Não há necessidade de perdermos tempo. O nosso segundo comandante, à hora do almoço, autorizou-me a ida para Sanza. E eu, para adiantar serviço, já falei com um condutor e uns soldados que encontrei. Disseram que não se importavam de ir a Sanza, desde que o nosso alferes autorizasse e fosse com eles. É coisa rápida. Está bom tempo. O alcatrão está seco. É ir e voltar. A meio da tarde está de regresso a Quimbele.

— É como disse: não me importo de ir a Sanza, desde que o nosso major autorize... E se o nosso capitão Glórias Dias dispensar a minha companhia...

Não foi preciso gastar muito tempo. Os oficiais sabiam da pretensão do tenente e estavam de acordo. No Bar Quimbele, encontrámos o condutor e o grupo de soldados com quem o tenente tinha falado. Estavam prontos, de camuflado e armas, à espera de irem dar uma passeata imprevista a Sanza Pombo.

— Sendo assim — disse, meio surpreendido pela eficiência do pessoal e vontade em ir imprevistamente passear — apenas falta irmos à messe de oficiais, para eu enfiar o camuflado e pegar na cartucheira e na arma.

— Não vale a pena, alferes. — disse o tenente. — É uma perda de tempo. Atrasamo-nos e depois não tem tempo de ir e voltar.

— E eu vou sem armamento, tenente Oliveira?

— Qual é o problema, alferes? Eu também não levo nenhuma arma. Também estou de farda número dois. Não reparou que vim para baixo já com a minha tralha? Daqui a Sanza não tem qualquer perigo!

— A Berliet está pronta? Está atestada? — perguntei ao condutor.

— Está tudo em ordem, meu alferes. A viatura está pronta a arrancar. É só o meu alferes dar autorização.

— E onde é que ela está? Não a vejo em lado nenhum!

— Está pronta, alferes. Deixei-a estacionada em frente ao nosso refeitório. É já ali, alferes. Daqui à cantina são dois minutos.

— Sei bem onde é. Não preciso de explicações. Vamos lá então. Não percamos mais tempo.

Uma hora depois, estávamos a entrar em Sanza Pombo. Passámos o posto de gasolina. Atravessámos a longa rua principal e estacionámos em frente à messe de oficiais, para largarmos o tenente Oliveira.

— E nós, alferes Ulisses? Não descemos para dar uma volta? — perguntaram-me os soldados.

— Vocês vieram com a mira no passeio...

— Bruxo! O que é que o nosso alferes queria? Em Quimbele é sempre a mesma coisa. Ao menos, aqui, é diferente.

— Bom, está correcto. Meia hora chega?

— Está certo, meu alferes. E encontramo-nos onde, alferes?

— Pode ser aqui mesmo. Se quiserem, levem a Berliet e passem por aqui a buscar-me dentro de meia hora. Eu vou só ao bar de oficiais tomar uma bebida e espero aqui por vocês.

A messe de oficiais da CCS, como já devem saber por aquilo que vos disse em aerogramas anteriores, fica mesmo ao lado do edifício do comando, frente a uma pequena praceta triangular. Seguindo a continuação da rua principal, vai-se ter a Carmona e a Luanda. Tomando o lado esquerdo do triângulo, vai-se ter ao quartel da CCS, no topo da rua. Entre a messe e o quartel, não devem ser mais do que uns cem metros.

Entrei na messe na companhia do tenente Oliveira. Convidou-me para tomar um uísque com Seven Up, antes de se despedir de mim. Estava com esperança de conhecer-lhe a família, mas não está instalada na messe. Alugaram uma casa a um civil. Costumam passar a maior parte do tempo na messe, onde vêm comer, mas não se encontravam ali. Na sala, estavam alguns camaradas a jogar ao King. Conversámos um pouco e o tempo passou rapidamente.

Em breve, tinha a viatura com o meu pessoal em frente à porta da messe. Vieram chamar-me. Despedi-me dos camaradas e preparava-me para tomar o lugar ao lado do condutor. Não tive sequer tempo de me sentar. Um impedido do Comandante chegava a correr, a pedir-me para me deslocar ao gabinete, que o nosso tenente-coronel quer falar com o alferes. E parece-me bastante aborrecido com o nosso alferes.

— Qual nosso alferes?

— Com o meu alferes.

— Aborrecido comigo? Mas porquê?

— Isso não lhe sei dizer. O alferes tem que lá ir.

— Bom, pessoal, temos de aguentar um pouco. Esperem um pouco. Venho já. Vou ver o que o nosso comandante pretende de mim. Espero que não haja bronca!

Desci da viatura e segui atrás do impedido.

— É aqui o gabinete do nosso comandante, alferes.

— Obrigado.

Junto à porta, fiz continência e pedi autorização para entrar:

— O meu comandante dá-me licença?

— Entre. Sente-se aqui, em frente à minha secretária. — disse-me o comandante, com um ar que me pareceu pouco bem encarado. Então o nosso alferes não conhece os regulamentos militares?

Fiquei surpreendido, sem saber bem o que dizer.

— O que é que o nosso alferes veio aqui fazer sem autorização? E com essa farda?

Um pouco atrapalhado, contei-lhe que tinha vindo imprevistamente a Sanza, para satisfazer o pedido de um oficial da CCS, que estava em Quimbele. Tive o pedido de repente, sem contar, na hora da bica a seguir ao almoço, meu comandante. Tive a concordância do nosso segundo-comandante e do capitão Glória Dias. Foi tudo muito rápido.

— E meteu-se à estrada assim? Sem camuflado nem armamento?

— O meu comandante tem toda a razão. Bem que pensei também o mesmo, mas...

— E o que pensa fazer? Ir já embora? E ia-se embora sem passar sequer pelo meu gabinete...

— Meu comandante, foi tudo muito rápido. O objectivo era trazer o nosso tenente e seguir logo para a Companhia, para fazer a viagem de dia. A estrada é boa. Com bom tempo, sem chuva, faz-se a viagem num instante.

— Pois o nosso alferes não vai fazer viagem nenhuma de regresso. Vai cá ficar.

— Vou cá ficar, meu comandante? Mas como? Não vim preparado. Nem trouxe as minhas coisas para dormir e para me lavar. E ficam lá sem mim...

— Estão lá oficiais na companhia. Não precisam do alferes para nada. E na messe de oficiais arranjam-lhe o que precisa para passar a noite. Está dito. Janta cá e vai amanhã bem cedo. Não são horas de se fazer à estrada e regressar.

— E em Quimbele? Têm de ser avisados, para não ficarem em cuidado. E o pessoal que veio comigo, meu comandante?

— Serão informados. O seu pessoal, eles não se atrapalham. Fale com o oficial de dia, para os instalar na caserna. E agora, pode retirar-se. Espero vê-lo logo, durante o jantar e o serão.

Fiz continência e saí. Saí mergulhado nos meus pensamentos: ora toma lá! Toma lá, que já aprendeste! Deixaste-te levar pelas facilidades do tenente, e zás! Levaste um raspanete do comandante. E com razão! Onde deixaste a tua prudência? Tantas preocupações em Quimbele, só por ires à caça com o capitão... E Para aqui? Com uma distância muito maior, vieste sem nada! Feito papo-seco todo aperaltado... Ora toma lá, que já aprendeste! E quem te deu o raspanete é teu amigo, porque pensou na tua segurança.

— O alferes vem com a cabeça baixa? — perguntou-me um soldado, quando me aproximei da viatura. — O que é que o nosso comandante lhe queria, alferes? Vem com cara de caso.

— E com razão, pessoal! Acabo de levar um raspanete do nosso comandante. E é ele quem tem razão. Vim para aqui à papo-seco, sem arma nem camuflado... Levei o raspanete da ordem.

— Arrancamos, meu alferes? — perguntou-me o condutor, quando subi e me sentei ao lado dele.

— Arrancamos, pois, mas não para Quimbele. Vocês não quiseram vir a Sanza para saírem de Quimbele? Pois o nosso comandante fez-vos a vontade. Vão passar o resto do dia em Sanza. Anda lá. Dá a volta à viatura e segue para o quartel da CCS. Vamos lá estacionar a viatura. Eu tenho de falar com o oficial de dia, para contarem convosco no refeitório. Dormimos hoje aqui. Arrancamos amanhã, bem cedo, para Quimbele. E vocês, — disse voltando-me para o resto do pessoal — aproveitem bem o resto do tempo em Sanza. Mas não se metam em sarilhos. Alguns de vocês precisam de alguma coisa? De dinheiro?

— Viemos prevenidos, meu alferes. Obrigado, alferes. A malta cá se arranja.

— Oiçam lá, não deixem as cartucheiras e as armas na caserna, não vá algum diabo pregar-nos a partida a todos, porque a mim é que me arranjam o problema. Entreguem tudo à guarda na arrecadação. É mais seguro. E vejam bem os números das armas, para não haver trocas desagradáveis.

— Ó alferes, nós já não somos maçaricos!

— Pois sim, fiem-se na Virgem e não se acautelem, e depois verão o trambolhão. Quem vos avisa, vosso amigo é!

Com todo o pessoal despachado, devidamente instalado, separámo-nos. Fui para a messe de oficiais, aproveitando a companhia dos camaradas que lá se encontravam. Com um pouco de conversa e assistindo ao jogo, de que nada percebo, pelo menos o tempo passa mais depressa. Além disso, as conversas e os comentários também ajudam a distrair.

À hora da janta, verifiquei com pesar que o capelão não se encontrava entre nós. Estava de visita à Primeira Companhia de Caçadores. Fomos tomando os nossos lugares. A mesa principal, a do comandante, continuava vazia. Esperámos que ele chegasse e começasse a ser servido o jantar. Entrou poucos minutos depois, acompanhado pela esposa. Levantámo-nos todos e esperámos a autorização para nos voltarmos a sentar. Verifiquei, muito discretamente, que o comandante passou o olhar por toda a sala. Senti-me observado e olhei. Tinha razão. A sensação de ser olhado batia certo. Olhei de frente, olhos nos olhos, e baixei ligeiramente a cabeça, como que cumprimentando a pessoa que, com toda a razão, me dera um merecido raspanete. Tirando este pequeno facto, a refeição decorreu normalmente, de maneira agradável, e rapidamente deu lugar ao momento da bica e ao serão. Só no fim, quando pedia uma bica para mim, é que me lembrei que andava de dieta e que não devia ter jantado. Anulei o pedido e fui para a sala conversar e ver jogar.

Tive o prazer de conversar com a família do tenente Oliveira, que, afinal, até já conhecia do período em que estivemos em Santa Margarida. Mas, sinceramente, ao fim de tantos meses, já não me lembrava deles. Também não é de admirar! Quase nunca conversámos! Tirando um ou outro oficial das outras companhias e aqueles que conviveram comigo durante o período de Tomar, a maior parte do tempo passei-o sempre com aqueles camaradas com quem fiz a recruta e a especialidade em Mafra e que foram, na mesma altura que eu, para Tomar. Além disso, aqui, poucos elementos femininos frequentavam a messe de oficiais. E mesmo que a frequentassem, não teria tido tempo para grandes conhecimentos. Mal acabávamos a instrução ao pessoal, saímos para o duche e muda de roupa para civil. E ala que se faz tarde, para fora do quartel e para o coração da cidade. Posso agora dizer, já com alguma saudade, que o meu melhor período de tropa foi o passado em Tomar. Fiquei a conhecer bem a cidade. E não só! Visitámos todos os arredores. Que saudades dos seis meses passados em Tomar! Bons tempos! Quase não havia uma noite que não tivéssemos uma patuscada, que acabava quase sempre com uma ceata de conquilhas e vinho verde, entre outras coisas, que agora não digo, antes de regressarmos ao R.I. 15. E que saudades das passeatas com o Taunus! Tratem bem dele. Não o deixem aí parado, na metrópole, a apodrecer. Tirando aquela vez de que já vos falei, daquele fim de semana do período de Santa Margarida, nunca me deixou ficar mal.

Onde é que eu já vou, com as minhas digressões?! Deixei-me levar pelas recordações e saí da messe de oficiais de Sanza Pombo, sem licença sequer do comandante de batalhão.

Ele também não deu por isso, porque o meu corpo estava lá, bem perto dele. Só o corpo! Saí dali por uns minutos e andei por bem longe. Deixei-me levar pelas recordações e matei saudades.

Voltemos à sala de convívio. À minha volta, reina um certo silêncio. Apenas alguns comentários de tempos a tempos, porque se está a jogar seriamente um jogo que não conheço. O comandante está a jogar o bridge, com outros oficiais. Antes, conversou um pouco comigo. Fez-me uma série de perguntas, entre as quais se o nosso alferes está a gostar destes momentos aqui. E sabe jogar ao bridge?

Respondi-lhe que sim e que não. Que sim, que estava a apreciar estar ali, mas que não, porque tirando o crapaud, meu comandante, que creio até jogar bem, apenas sei jogar, mas muito mal, o king e a canasta. E se calhar até já nem sei jogar isto, meu comandante.

— Então porquê? Já esqueceu?

— Creio que sim, meu comandante, Tirando o burro e outros jogos de cartas, que jogava em miúdo com a minha avó, nunca fui dado a jogos de cartas. Só os joguei, isto é, só joguei o king e a canasta, pela primeira vez, quando estivemos em Santa Margarida. E apenas duas ou três vezes. Nunca mais voltei a jogar. Já nem me lembro bem das regras. Quanto ao bridge, não conheço, a não ser de nome, meu comandante. Parece-me uma grande complicação. Um jogo difícil, com muitas regras e exigindo uma grande concentração.

— Um grande jogo, alferes Ulisses. Mas tem razão. É um jogo que exige grande atenção e perícia. É pena que não conheça, porque é menos um parceiro.

Tirando esta breve conversa com o comandante, estive um longo bocado com alguns camaradas. Pelas dez horas, pedi autorização para me ausentar.

— Já vai embora?

— Sim, meu comandante. Disse ao meu pessoal que sairíamos daqui bem cedo, a seguir ao pequeno-almoço. E gosto de cumprir rigorosamente o que digo. Se o meu comandante me permite, aproveitava para me despedir já e agradecer estes momentos de convívio em Sanza Pombo.

— Ainda nos voltaremos a ver amanhã, nosso alferes.

— Talvez! Mas amanhã é domingo, meu comandante. Podem não estar ao pequeno-almoço...

À hora a que me levantei, ainda não havia qualquer movimento. Tirando o pessoal de serviço, reinava ainda o sossego. Tomei um duche rápido, aproveitando o champô emprestado por um camarada. Sequei-me. Vesti-me à pressa e fui saber do meu pessoal. Encontrei-o já levantado.

— O meu alferes anda à nossa procura? — perguntou-me um soldado.

— Acordei muito cedo. Estava sem sono. Vim ver se vocês foram bem tratados e se estão prontos para partirmos.

— Sem o pequeno-almoço, alferes?

— De modo nenhum! Primeiro, o pequeno-almoço. Mas despachem-se. Vão ter comigo à messe de oficiais. Esperem próximo do edifício. Eu vou aproveitar para tomar qualquer coisa: uma caneca de leite e um pão com manteiga. Até já.

Quando cheguei à messe, contava com tudo menos com isto: dei de caras com o comandante de batalhão. Fiz-lhe continência. Fui correspondido, não com outra continência, mas com uma mão esticada para um aperto de mãos.

— O nosso alferes já anda levantado?

— Há um bom bocado, meu comandante. Estava preocupado com o meu pessoal. Fui verificar se tinham sido bem tratados e se estavam preparados para o regresso.

— Sim, senhor! Acho bem essa preocupação. O nosso pessoal em primeiro lugar. Os nossos soldados merecem-nos toda a atenção. São dos melhores soldados de todo o mundo. Sempre se distinguiram no campo de batalha, onde quer que nos encontrássemos.

— É de facto verdade, meu comandante. Tivemos muitas provas disso. Não só durante a Primeira Grande Guerra, mas ao longo de toda a nossa História. É uma característica do povo português, meu comandante. Se assim não fosse, não estaríamos agora aqui a conversar, em terras africanas.

— Verifico que o nosso alferes sabe de História!

— Alguma coisa, meu comandante.

— Vamos tomar o pequeno-almoço? Está na hora...

— Sim, meu comandante.

Começava a segurar a chávena com leite quando o impedido da messe se abeirou de mim:

— Meu alferes, pediram-me para o avisar que estão prontos para arrancar.

— Já?! Ainda nem tive tempo de tomar o pequeno-almoço!

— Pararam a viatura ao lado da messe e esperam o meu alferes.

— Faça-me um favor: diga-lhes que vou já. É só enfiar esta chávena de leite e despedir-me do nosso comandante. São só três minutos.

Enfiei rapidamente o leite, levantei-me e pedi licença para me ausentar:

— Até breve, meu comandante. E, uma vez mais, obrigado pela tarde e pelo serão bem passado em Sanza Pombo. Foi um fim de semana diferente e imprevisto.

Embora quase sempre sério, com cara de poucos amigos, pareceu-me vislumbrar um ligeiro esboço de um sorriso. O comandante estendeu-me o braço e trocámos, uma vez mais, um aperto de mãos.

 

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