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Editorial
Na última
Assembleia Geral Ordinária do Clube, foram eleitos os novos Órgãos
Sociais para o triénio 2009/2011. Apenas se apresentou uma lista ao
sufrágio, no que pode ser interpretado de duas maneiras: ou os sócios não
manifestam o necessário dinamismo para se interessarem na gestão do Clube
ou entendem que os elementos que têm vindo a gerir o Clube desde alguns
anos para cá, dão boa conta do recado e fazem crescer o Clube. Quero
acreditar que seja a última hipótese mas também não posso deixar de
manifestar alguma tristeza e preocupação por mais sócios não quererem
envolver-se directamente na gestão e evolução do CAAA.
A actual
equipa quer continuar a trabalhar no crescimento da nossa Associação,
promovendo a sua actividade e prestígio, cativando novos entusiastas e
alargando o âmbito da sua actividade. Um dos principais objectivos
mantém-se desde há já bastante tempo, nomeadamente, a obtenção de um
espaço condigno para a nossa Sede, mas desta feita a estratégia será
diferente, uma vez que se vem confirmando a dificuldade em se concretizar
algo baseado na colaboração com entidades de diversa índole. Contamos em
breve termos mais notícias sobre este assunto importante para todos os
associados!
As nossas
actividades continuam em bom ritmo, tendo sido já realizados 5 eventos
desde o início do ano, em cumprimento do calendário de actividades.
Trataram-se todos eles de bons eventos e todos diferentes, o que é óptimo
para a diversidade. Desde um tradicional passeio, a um encontro de motos,
um passeio quase nocturno, uma feira de Automobilia até a uma Assembleia
Geral, houve para todos os gostos! A qualidade de realização dos passeios
foi sempre boa e assim queremos manter, para que aqueles que participam
fiquem satisfeitos e aqueles que não participarem, fiquem com vontade de
passar a participar! Estamos já em período de férias e será bom que
aproveitem o bom tempo para dar uso às máquinas antigas, beneficiando da
meteorologia estival e do tempo livre.
Se utilizarmos
as nossas máquinas em passeatas, cativamos o interesse de outros neste
tema tão interessante de preservação do património industrial nacional e
mostramos também que não se trata apenas de uma actividade lúdica, mas
também algo com um forte cariz cultural. Por isso, incentivo os sócios a
contactarem uns com os outros para fazerem coisas tão simples e
agradáveis como irem tomar café em conjunto a determinado sítio, levando
as suas motas e automóveis antigos, para prazer próprio mas certamente
também para gáudio de todos aqueles que admirarem tão belas máquinas.
A todos, muito boas férias, com alegria e saúde!
Subir os Alpes em duas rodas
Viajar em
duas rodas pela Europa é para muitos uma aventura, principalmente quando
as matas já têm uma idade de respeito. Foi o caso do nosso amigo e sócio,
Pereira dos Santos, que, acompanhado pela Rosa e pelo Mauro, decidiu, há
uns anos, – quase dez – visitar o Museu da Fiat em Itália. Para lá chegar
escolheram, como não podia deixar de ser, a mota como meio de locomoção.
A Rosa conduziu urna BMW R23 de 1955, enquanto o Pereira dos Santos e o
filho Mauro optaram por utilizar urna BMW R50 com sidecar, de 1960. Até
aqui tudo bem ou não fosse o Pereira dos Santos um dos principais
especialistas nacionais neste tipo de motas.
Mas nestes
passeios há sempre urna ou outra situação em que as máquinas se
"queixam", seja pela dificuldade do traçado a percorrer, seja pela idade
que apresentam, mostrando o esforço a que estão a ser submetidas e
necessitando de alguns cuidados especiais. Mas, se para uns poderá ser um
problema, para outros é mais um motivo a acrescentar à aventura,
característica dos portugueses, pelo seu espírito de "desenrasca" e que
tão útil se tem mostrado em muitas situações.
Foi o que
aconteceu na viagem dos nossos três amigos que ao subirem os 2 mil e 300
metros do Col D'Izoardos, nos Alpes franceses, «pudemos ter a sensação da
velocidade vertiginosa que as nossas motas davam a subir, onde qualquer
bicicleta nos ultrapassava. A descer era a mesma coisa, pois havia que
ter cuidado para não se ficar sem travões, que começaram a mostrar alguma
fadiga».
Os
percalços surgiram logo no primeiro dia de viagem com a mota da Rosa a
queixar-se. Estudado o queixume da máquina, chegou-se à conclusão que o
eixo da alavanca da embraiagem tinha ido desta para melhor. Solução para
o problema? Fácil,
«cortámos
um bocado de arame de aço da vedação da auto-estrada e o problema do eixo
da embraiagem ficou resolvido.» Mas o problema não se ficava pelo eixo
estragado. Alguns parafusos M8 também haviam encomendado a alma ao
santíssimo e foi necessário "desenrascar" urna solução. Nada mais fácil.
Houve, mais uma vez que recorrer ao equipamento disponível na
auto-estrada. Bastou retirar alguns parafusos que seguram os raids de
protecção, que têm precisamente a medida necessária: M8... Uma viagem que
teria ainda muito para contar, mas o espaço é pouco e as histórias são
muitas... Resta apenas dizer que «foram umas férias em que percorremos
nestas duas motas 6 mil e 600 quilómetros e raras vezes ultrapassámos os
60 quilómetros por hora...» |
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