Série II - N.º 6 - Julho 2009

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Editorial
 

Na última Assembleia Geral Ordinária do Clube, foram eleitos os novos Órgãos Sociais para o triénio 2009/2011. Apenas se apresentou uma lista ao sufrágio, no que pode ser interpretado de duas maneiras: ou os sócios não manifestam o necessário dinamismo para se interessarem na gestão do Clube ou entendem que os elementos que têm vindo a gerir o Clube desde alguns anos para cá, dão boa conta do recado e fazem crescer o Clube. Quero acreditar que seja a última hipótese mas também não posso deixar de manifestar alguma tristeza e preocupação por mais sócios não quererem envolver-se directamente na gestão e evolução do CAAA.

A actual equipa quer continuar a trabalhar no crescimento da nossa Associação, promovendo a sua actividade e prestígio, cativando novos entusiastas e alargando o âmbito da sua actividade. Um dos principais objectivos mantém-se desde há já bastante tempo, nomeadamente, a obtenção de um espaço condigno para a nossa Sede, mas desta feita a estratégia será diferente, uma vez que se vem confirmando a dificuldade em se concretizar algo baseado na colaboração com entidades de diversa índole. Contamos em breve termos mais notícias sobre este assunto importante para todos os associados!

As nossas actividades continuam em bom ritmo, tendo sido já realizados 5 eventos desde o início do ano, em cumprimento do calendário de actividades. Trataram-se todos eles de bons eventos e todos diferentes, o que é óptimo para a diversidade. Desde um tradicional passeio, a um encontro de motos, um passeio quase nocturno, uma feira de Automobilia até a uma Assembleia Geral, houve para todos os gostos! A qualidade de realização dos passeios foi sempre boa e assim queremos manter, para que aqueles que participam fiquem satisfeitos e aqueles que não participarem, fiquem com vontade de passar a participar! Estamos já em período de férias e será bom que aproveitem o bom tempo para dar uso às máquinas antigas, beneficiando da meteorologia estival e do tempo livre.

Se utilizarmos as nossas máquinas em passeatas, cativamos o interesse de outros neste tema tão interessante de preservação do património industrial nacional e mostramos também que não se trata apenas de uma actividade lúdica, mas também algo com um forte cariz cultural. Por isso, incentivo os sócios a contactarem uns com os outros para fazerem coisas tão simples e agradáveis como irem tomar café em conjunto a determinado sítio, levando as suas motas e automóveis antigos, para prazer próprio mas certamente também para gáudio de todos aqueles que admirarem tão belas máquinas.

A todos, muito boas férias, com alegria e saúde!


Subir os Alpes em duas rodas

Viajar em duas rodas pela Europa é para muitos uma aventura, principalmente quando as matas já têm uma idade de respeito. Foi o caso do nosso amigo e sócio, Pereira dos Santos, que, acompanhado pela Rosa e pelo Mauro, decidiu, há uns anos, – quase dez – visitar o Museu da Fiat em Itália. Para lá chegar escolheram, como não podia deixar de ser, a mota como meio de locomoção. A Rosa conduziu urna BMW R23 de 1955, enquanto o Pereira dos Santos e o filho Mauro optaram por utilizar urna BMW R50 com sidecar, de 1960. Até aqui tudo bem ou não fosse o Pereira dos Santos um dos principais especialistas nacionais neste tipo de motas.

Mas nestes passeios há sempre urna ou outra situação em que as máquinas se "queixam", seja pela dificuldade do traçado a percorrer, seja pela idade que apresentam, mostrando o esforço a que estão a ser submetidas e necessitando de alguns cuidados especiais. Mas, se para uns poderá ser um problema, para outros é mais um motivo a acrescentar à aventura, característica dos portugueses, pelo seu espírito de "desenrasca" e que tão útil se tem mostrado em muitas situações.

Foi o que aconteceu na viagem dos nossos três amigos que ao subirem os 2 mil e 300 metros do Col D'Izoardos, nos Alpes franceses, «pudemos ter a sensação da velocidade vertiginosa que as nossas motas davam a subir, onde qualquer bicicleta nos ultrapassava. A descer era a mesma coisa, pois havia que ter cuidado para não se ficar sem travões, que começaram a mostrar alguma fadiga».

Os percalços surgiram logo no primeiro dia de viagem com a mota da Rosa a queixar-se. Estudado o queixume da máquina, chegou-se à conclusão que o eixo da alavanca da embraiagem tinha ido desta para melhor. Solução para o problema? Fácil, «cortámos um bocado de arame de aço da vedação da auto-estrada e o problema do eixo da embraiagem ficou resolvido.» Mas o problema não se ficava pelo eixo estragado. Alguns parafusos M8 também haviam encomendado a alma ao santíssimo e foi necessário "desenrascar" urna solução. Nada mais fácil. Houve, mais uma vez que recorrer ao equipamento disponível na auto-estrada. Bastou retirar alguns parafusos que seguram os raids de protecção, que têm precisamente a medida necessária: M8... Uma viagem que teria ainda muito para contar, mas o espaço é pouco e as histórias são muitas... Resta apenas dizer que «foram umas férias em que percorremos nestas duas motas 6 mil e 600 quilómetros e raras vezes ultrapassámos os 60 quilómetros por hora...»