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ACTUALIDADES
Vida nos campos
JULHO
Debulhadora de trigo a vapor
Esta máquina consiste numa caixa sobre
quatro rodas, dentro da qual há um maquinismo composto de cilindro,
crivos, ventoinhas, etc., os quais postos em movimento pela correia
motora que vem da máquina a vapor, debulha, separa, limpa e prepara
o trigo, que lhe é deitado em rama pela abertura indicada na nossa
gravura pela letra C.
O trigo cai no espaço entre o cilindro
batedor U e uma espécie de grade recurvada, cuja aproximação do
cilindro se segura no ponto 20. O cilindro tem um movimento de mil e
tantas voltas por minuto e nessa velocidade desfaz a espiga donde se
soltam os grãos, que, misturados com a palha, batem no anteparo 14 e
caem nos sacudidores E. O movimento dos sacudidores obriga a palha a
caminhar por eles acima até cair pela sua extremidade sobre o crivo
A ou sobre cilindro munido de navalhas e dentes que a cortam e
esmagam para poder servir de alimento para o gado. O grão atravessa
o crivo dos sacudidores e cai na bandeja F que o conduz a um outro
crivo 8 onde se apura o grão limpo do cacho ou bocados de espigas
que têm de voltar à máquina. O grão cai no crivo 9 donde passa a
outros crivos 18 sofrendo nova limpeza por meio da ventoinha Z que
lhe tira o casulo e a moinha que saem pelo canal 10. O trigo limpo e
despejado passa por um bocal à caixa B onde os alcatruzes de uma
nora o elevam à caixa superior B donde passa ao escovador H. Depois
de esfregado aí ou escovado é novamente
limpo pela ventoinha T que o assopra
ao passar pelos crivos J J e passa pela calha N para o calibrador
rotativo K que o separa em classes distintas de grandeza e o despeja
nos diversos bocais onde se prende a bocados de sacos que o recebem.
É este o maquinismo ordinário de uma
debulhadora. Não obstante há vários sistemas que variam entre si em
detalhes a fim de produzir menor ou maior quantidade de trabalho.
As mais modernas possuem ainda um jogo
de crivos oscilantes onde cai a palha, sendo neles apurado e limpo
com ventoinha qualquer quantidade de grão que ela ainda traz da
máquina. A este acessório chama -se pagucheiro.
As debulhadoras podem debulhar 10 a 20
moios de trigo por dia e mais, e necessitam uma máquina a vapor da
força de 8 a 12 cavalos, cujo modelo é em geral dos denominados
locomoveis.
Estas máquinas estão muito
generalizadas entre nós, por poderem produzir muito trabalho sem
dependência de vento que muitas vezes falta, causando prejuízo ao
lavrador.
Ratoeira para insectos
EIS a descrição de um aparelho
inventado por Mr. Paul Noel para destruição dos insectos.
Imaginem uma tira de flanela com os
extremos cosidos um ao outro, formando uma tela sem fim que se
estende sobre duas roldanas, munida a superior de uma manivela. A
inferior mergulha numa cela contendo a mistura seguinte:
Mel - 10 quilos.
Açúcar mascavado - 2 quilos.
Melaço - 2 quilos.
Agua - 1 litro.
Cerveja - 1 litro.
Esta mistura deve ter cosido a fogo
lento durante uns dez dias, tempo preciso para desenvolver o aroma
que deve atrair as vitimas.
Quando se anda com a manivela, o pano
desenrola-se e ensopa-se na mistura. Os insectos, movidos pela gula,
aproximam-se, mas vêm esbarrar numa rede metálica, que defende o
pano. Assim, a guloseima dura indefinidamente, bastando de vez em
quando deitar-lhe mais água.
As roldanas e a rede metálica estão
metidas numa caixa de madeira com 1 metro de alto. Na parte superior
há um vidro, e as paredes têm uns furos, com uma espécie de funis de
rede metálica com a parte mais larga para fora. Os insectos entram,
mas não são capazes de dar com a saída.
Não podendo penetrar na rede interior
que protege o pano ensopado, aglomeram-se no cimo da caixa, e caem
pouco a pouco extenuados e moribundos no fundo. Formam aí, uma
camada espessa de cadáveres, que têm de se tirar no fim de 5 ou 6
dias para evitar a podridão, e que podem aproveitar-se para
alimentar-se as capoeiras, pois que em cada semanas se apanham 2 ou
3 quilos de insectos.
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