CONCURSOS FOTOGRÁFICOS DOS «SERÕES»

O número avultado de provas fotográficas recebidas para este concurso demonstra exuberantemente como por todo o país se tem desenvolvido o gosto pela fotografia. Quase todos os concorrentes eram amadores; os poucos profissionais que se apresentaram foram desclassificados por motivos que abaixo apontamos e que não importam desdouro para a sua perícia. E antes de continuarmos nas nossas considerações, digamos desde já qual foi a decisão definitiva, a que depois de muitas hesitações chegou um júri imparcial, formado de críticos de arte e de um técnico em matéria fotográfica:

 

1.º PRÉMIO: – Sr. Luís Marques de Sousa, Porto.

2.º PRÉMIO: – Sr. António Pinheiro Azevedo Leite, Guiães.

3.º PRÉMIO: – Sr. Alberto Lima, Lisboa.

 

MENÇÕES HONROSAS: – Srs. Cipriano Trincão, Lisboa; José Artur Barcia, Lisboa; Luís C. Pereira Carvalho, Lisboa; Paulo de Brito Namorado, Ílhavo; Tiago Silva, Alcácer do Sal; Vitorino Cardoso, Porto.

Congratulando-nos com os concorrentes que do ilustrado júri mereceram estas distinções, passamos aos comentários que nos sugere este concurso e que servirão de elucidação para os seguintes.

Muitas hesitações dissemos nós que houvera da parte do júri. Estas hesitações provêm sobretudo da falta de compreensão do nosso objectivo, por parte de muitos dos concorrentes. As condições do concurso seriam porventura forçadamente lacónicas, resultando que a nossa ideia não assumiu absoluta nitidez. Mas algumas das nossas frases com relação à importância artística que pode ter a fotografia, conjugadas com a índole especial da nossa revista, poderiam induzir o espírito dos fotógrafos nacionais à inteligência do nosso propósito. Aproveitamos o ensejo para o explanar tão claramente quanto nos seja possível, para que essas explanações sirvam de norma a futuros concursos. / 516 /

Não sendo os Serões uma revista da especialidade, não é condição única, embora seja importantíssima, o primor técnico dos clichés ou das provas fotográficas enviadas a concurso. A outras cláusulas, de natureza artística, se deve atender cuidadosamente: a escolha do assunto, a composição, as gradações de luz, a diferenciação de planos, todas as circunstâncias em fim / 517 / que concorram para que o cliché produza o efeito de um quadro, quer de paisagem, quer de género, quer ainda histórico. No presente concurso, por exemplo, algumas das fotografias enviadas não passam de simples retratos, que, embora às vezes excelentemente executados sob o ponto de vista do métier, são destituídos de interesse artístico. A ensaios de fotografia pictórica desejamos nós estimular os amadores portugueses, animando-os à procura do meio, à escolha das figuras, à sua disposição artística, à selecção de todos os pormenores de luz, de composição, de beleza estética, enfim, que, a exemplo do que sucede em países estrangeiros, tendam a incluir a fotografia na categoria das belas artes, transformando uma simples diversão num sólido elemento de educação estética.

Nesse intento, desde já abrimos um NOVO CONCURSO, ao qual serão admitidos exclusivamente os amadores, alargando desta vez o nosso tema a TODAS AS COMPOSIÇÕES, COM FIGURAS HUMANAS, ou DE ANIMAIS, OU DAS DUAS ESPÉCIES, NUM CENÁRIO DE PAISAGEM OU DE INTERIOR, AGRUPADAS DE FORMA A DAREM QUALQUER INTENÇÃO AO QUADRO. Quer dizer: a composição deve ter um carácter episódico ou anedótico, quer dramático quer cómico, e ser acompanhada de um título simples ou de uma legenda que lhe explique a intenção, como fazem os pintores para os seus quadros.

Isto tenderá a estimular a imaginação / 518 / dos fotógrafos amadores, e portanto a desenvolver o seu gosto artístico. Àqueles cuja fantasia for escassa, aconselhamos a estudar nos quadros dos grandes mestres de pintura a maneira de compor e agrupar para produzirem um belo efeito artístico. A imitação não fica mal aos neófitos da arte. E assim poderão aproveitar brilhantemente as aptidões técnicas de que estão dando prometedoras provas.

As restantes condições do novo concurso podem ver-se nas páginas suplementares dos Serões, onde, como de costume, as inserimos.


 

 

 

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