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O NETO DO
FAROLEIRO
CONTO
por Alberto Braga
O farol ficava situado no alto de uma pequena colina sobranceira ao mar.
À frente da casa da guarda, que era envidraçada de todos os lados,
erguia-se um grande mastro com duas vergas, e, como das extremidades das
vergas desciam as adriças e do meio do mastro os cabos que iam
prender-se em argolas chumbadas no parapeito de pedra que cercava a
casa, o mastro e as cordas davam ao farol um aspecto de navio, cuja proa
fosse avançando sobre o mar – como um navio pronto a largar do
estaleiro.
Subia-se para o farol por uma estreita vereda aberta em zig-zag na
ladeira da colina que era eriçada de mato espesso e bravo. E nessa
vereda passavam apenas o faroleiro que por ali' se dirigia ao romper da
manhã e ali passava depois ao cair da noite, e a filha do faroleiro, que
subia a encosta duas vezes ao dia, com uma cesta pendente do braço, a
primeira vez com o almoço e a segunda com o jantar do pai. O faroleiro
passava pois, todo o dia metido na casa da guarda, a vigiar o horizonte,
e só saía ao terraço, quando tinha de falar aos navios, que transpunham
a barra, içando nas adriças os variados sinais com que se relacionava
com as embarcações. Tão experimentado estava já naquela profissão, que,
apenas no horizonte longínquo se avistava uma pequena mancha, como uma
ligeira nuvem dispersa no espaço, e que mal se enxergava a olho nu, logo
ele dizia se era navio de vela ou vapor, designando até as milhas a que
o barco estava distante da costa. Depois, assestava o óculo, e descobria
a nacionalidade da embarcação.
– É um vapor inglês, e deve ser um que se espera de Liverpool.
Não errava nunca.
O hábito de viver só, ali, no alto daquela colina, tendo por único
espectáculo o céu, ora todo azul, ora carregado de nuvens, e o mar
vasto, umas vezes murmuroso e manso e outras agitado e bramidor,
tornara-o taciturno e triste.
Naquele dia, dia de sol tépido de começos de Outono, a filha, ao
entregar-lhe a cesta do almoço, disse-lhe:
– Pai, o Macário teima em ir hoje ao mar. O faroleiro fitou um instante
a filha, e encolheu vagamente os ombros, num gesto de resignação.
Ele não tinha querido que o neto seguisse a vida do mar. E como havia de
querer!
O filho morrera-lhe aos dezoito anos, afogado numa volta de mar, quando
metido com outros numa lancha de pesca, tentara, por uma tempestuosa
manhã de inverno, entrar a barra. Dois anos depois, morreu-lhe / 12 / o
genro, quando era piloto da galera Santa Isabel, que, numa noite de
cerração, se despedaçou de encontro aos rochedos, nas costas da
Inglaterra.
O faroleiro então, viúvo, sem filho e sem genro, ficou sendo o único
amparo da filha e dos dois netos, o mais velho de sete anos e o outro
apenas recém-nascido.
Depois daquelas duas desgraças, começou a odiar espavorido o mar, como a
um inimigo rancoroso, perseguidor e implacável, de que era preciso fugir
constantemente. Dispôs tudo para que o neto seguisse outro modo de vida.
Enviou-o à escola, para o destinar ao comércio; mas o rapaz mostrava
pouca disposição para o estudo, e corria para a praia com os outros,
saltando de rochedo em rochedo, com a destemida ligeireza de um gamo.
Um dia pediu à mãe que o deixasse partir numa lancha de pescadores.
Misericórdia! A mãe ficou aterrada, e opôs-se. O avô, ao chegar à noite
a casa, informado do pedido do rapaz, falou-lhe com severidade, como se
o repreendesse por uma falta cometida.
Não; não iria ao mar. O mar para a família tinha sido sempre a desgraça!
Repetiu-lhe mais uma vez a dolorosa narrativa do naufrágio em que
perdera o filho. Descrevia a agitação do mar, que, sob um céu cor de
chumbo, bramia de longe, galgando os rochedos da costa com estrépito.
Perdida no meio do oceano, a pobre lancha lutava em vão com as
violências da tempestade, umas vezes desaparecendo de todo, como se
houvesse sido tragada pelos vagalhões que a cercavam, outras vezes
emergindo, quase vertical, na crista das ondas, navegando à toa, com o
mastro partido, sem leme e sem rumo, acossada pelo vendaval, com os
pescadores aferrados à amurada e implorando em altos brados a
misericórdia divina. E ele – façam ideia! – ele a assistir da costa aos
horrores do naufrágio, sem poder acudir ao filho, que lhe acenava de
longe, com os braços estendidos para terra, como se o quisesse apertar
no derradeiro adeus! E ainda as lágrimas lhe corriam dos olhos e a
comoção lhe tremia na voz, cada vez que recordava as angústias daquela
manhã sinistra.
– Não – terminou o faroleiro, depois de enxugar os olhos – com o meu
consentimento não segues a vida do mar.
Mas, decorridos alguns anos, decidiu o Macário ser pescador. Havia muito
que tinha abandonado os estudos.
– Ou vou já para o mar – disse ele à mãe – ou, em chegando a minha vez,
assento praça e vou servir na armada.
A mãe chorou, e foi referir ao faroleiro a teimosia do filho.
Não havia oposição a fazer.
Qualquer sábio, lido em Darwin e em Lamarck, explicaria a insistência do
rapaz pelo fenómeno da hereditariedade, fenómeno que não é, afinal de
contas, mais do que a confirmação científica dos antigos prolóquios
populares, que afirmam saber nadar o filho do peixe e nascer com dentes
o filho do lobo. Justifica-se assim a inabalável resolução do Macário.
As tendências inatas venciam nele todas as considerações ditadas pelo
afecto carinhoso da mãe e do avô. Era aquela a sua sorte: tinha de ser
pescador, e havia de sê-lo.
Foi dessa vez que o faroleiro encolheu vagamente os ombros, num gesto de
resignação. Depois de a filha lhe repetir a declaração terminante do
rapaz, o faroleiro perguntou:
– Mas sabe ele ao menos remar?
– Sabe – respondeu a filha – lá remar sabe.
E contou então que o Macário, desde que fora para a escola, muitas vezes
dali saíra em rancho com outros rapazes, indo todos à praia para meterem
ao mar qualquer barco que encontrassem abandonado sobre a areia. Era ele
até o que passava por ser mais destro e mais arrojado.
O faroleiro, ao cabo de um longo silêncio, encarou a filha, e observou
sentenciosamente:
– O que tem de ser tem muita força. Quer ser pescador? Que seja
pescador.
Quando a filha ia já a descer a vereda da encosta, com a cesta do
almoço pendente do braço, o faroleiro saiu ao terraço e chamou-a. A filha
retrocedeu.
– Diz ao rapaz – recomendou ele – que peça emprestado um escaler ao José
Piloto, que o traga para perto do farol, e que entre nele sozinho, à
minha vista.
– E a que horas, pai?
– Aí pela volta das quatro horas.
– E eu venho com ele?
– Não, deixa-o vir só.
A filha partiu. E o faroleiro, dirigindo-se para a casa da guarda,
cabisbaixo e pensativo, ia dizendo de si para si:
– Sempre quero ver se o rapaz é o tal marinheiro que dizem! / 13 /
*
* *
Pouco depois das três horas, em diversos pontos do horizonte começaram a
aparecer umas pequenas nuvens brancas, como flocos de algodão em rama, e
que pouco a pouco se iam avolumando. O mar, que toda a manhã se
conservara de um azul claro de turquesa, e cuja superfície levemente
ondeada à luz do sol mosqueava de cintilações, principiava a agitar-se
ao longe.
O faroleiro, depois de observar detidamente o aspecto do mar, ergueu os
olhos para a ventoinha do mastro, representando um peixe dourado. O
peixe mudava constantemente de direcção, apontando já o norte, já o sul,
girando de um para o outro lado, como se fosse um animal vivo, nervoso,
irrequieto, pressentindo a aproximação do perigo.
– Mudou o tempo – observou o faroleiro. Entrou na casa da guarda e
aplicou o óculo.
Umas lanchas de pesca, que tinham saído a barra duas horas antes,
afastavam-se apressadamente da costa. As nuvens, que apareciam agora a
noroeste, eram já cor de chumbo, e, impelidas pelo vento, estendiam-se
pouco a pouco no firmamento, como um enorme velório escuro, que de longe
se viesse desenrolando no espaço, encobrindo o azul claro do céu. O mar,
que até então se espraiava com um doce e lento murmúrio no areal da
costa, começava a bater com fragor de encontro aos penhascos.
O faroleiro estava inquieto.
Naquela estação do ano – a passagem do equinócio – os temporais
levantam-se de surpresa: umas vezes são tufões que passam rapidamente ao
longo da costa, acompanhados de fortes aguaceiros, que rebentam como
trombas de água; outras vezes são os temporais menos violentos, mas mais
prolongados, que conservam o mar bravo, durante dias e noites
consecutivos.
Passeando de um para o outro lado do terraço e fitando o horizonte,
começava o faroleiro a arrepender-se do consentimento que dera, quando
ouviu a voz do neto, que o chamava do sopé da colina.
– Avô! meu avô!
Era a hora aprazada; e ali estava ele pronto para embarcar, com uma gôrra de pele de coelho metida até às orelhas, uma grossa camisola de lã
branca listada de azul, as calças arrepanhadas até aos joelhos, deixando
ver os pés fortes e musculosos habituados a palmilhar na areia e a
trepar pelas saliências dos rochedos. O barco, que fora trazido da
barraca do José Piloto por seis homens, lá o esperava à beira do mar, a
balouçar nas ondas, preso por um cabo a um espigão de ferro espetado na
areia.
Como o avô não aparecia, o Macário impaciente subiu a ladeira. Ao ver o
neto, o faroleiro carregou o sobrolho, e perguntou-lhe:
– Sempre queres ir ao mar?
Já lá está o escaler do José Piloto.
– Mas olha que sopra noroeste rijo, e o mar não está hoje para
brincadeiras.
O Macário sorriu-se, mostrando que o não amedrontava o temporal. Ele ia
ser pescador, e não havia de ir ao mar unicamente quando o tempo
estivesse bom.
– Ainda há pouco partiram cinco lanchas – disse ele – citando o facto
para desatemorizar o avô.
– Partiram; bem sei que partiram – retorquiu o faroleiro – mas vejo-as
agora a fugir da costa.
O Macário estava cada vez mais impaciente. Para dissipar as hesitações
do avô, afirmava-lhe que se não afastaria muito da praia. O que ele
queria era mostrar que sabia remar e aguentar-se no mar como qualquer
outro pescador.
– Fique sossegado. Se o mar crescer mais, remo para terra.
Insistiu com o avô, quase suplicante, tirando-lhe pela manga do
jaquetão, para que viesse vê-lo largar da praia. O faroleiro não
resistiu mais. Foi seguindo o neto sem proferir palavra.
– Tinha que rir – observava o rapaz ao descer a encosta – tinha que
rir, se eu estivesse agora com medo do mar!
Chegaram à praia. Era uma curta faixa de areia reentrante, formando
enseada, entre grandes e altos rochedos, que só em dias de grande
temporal as ondas conseguiam galgar.
O Macário, apenas ali chegou, correu para o barco. Saltou de um pulo
para dentro; e, deitando-se de bruços, com o busto fora da proa,
estendeu o braço e arrancou da areia o espigão a que estava preso o
cabo, colocando-o no fundo da embarcação. Sentou-se em seguida no banco
do meio, deitando a mão aos remos. O barco, ao largar, oscilou um pouco,
/ 15 / batido pelo mar. O Macário, com duas remadas valentes, afastou-o
da areia.
– Cá vou, meu avô.
O faroleiro voltou para o terraço, e dali esteve a observar o neto.
O céu estava mais carregado e o mar roncava mais forte. O barco tinha
ido para o largo, com a proa virada contra o vento, balouçando-se à
mercê das ondas. O faroleiro, continuava inquieto, a observar o céu e os
movimentos rápidos da ventoinha.
Tudo anunciava temporal. De repente, estendeu-se ao longe, sobre o mar,
uma névoa densa, que encobria a linha do horizonte.
– É chuva – pensou o faroleiro.
Houve uma rajada forte, que fez estremecer o mastro do farol. A névoa
veio-se aproximando e alargando sobre todo o oceano; e, ao cabo de
alguns minutos, uma chuva torrencial, batida pelo noroeste, caiu sobre
toda a costa. Do terraço do farol nada se podia enxergar, como se no mar
houvesse cerração. Logo que o aguaceiro passou, o faroleiro procurou no
mar o escaler em que andava o neto. Não estava muito distante. Apenas o
avistou, colocou as mãos em tubo junto da boca, e gritou com toda a
força:
– Macário, volta. Volta depressa.
O rapaz devia ter ouvido, porque, tirando os remos com força, aproou
para terra. Vinha-se dirigindo para o areal; mas, ao passar próximo dos
rochedos, a ressaca, que ali era forte, impeliu de repente o barco para
o largo. O faroleiro desceu apressadamente da colina e veio para a
praia.
Trepou para a ponta de um rochedo, e, com o braço estendido, começou a
indicar ao neto por onde devia trazer o barco.
– Ao sul – gritava ele, acenando – ao sul. O escaler seguia na direcção
do sul.
O faroleiro não tirava os olhos do barco, que navegava à espera de
ocasião para não encontrar a ressaca. O Macário, a cada instante,
voltava a cabeça para trás, esperando que uma vaga o levasse na direcção
da praia.
Duas vezes tentou ser impelido, mas a onda levantou no dorso o escaler,
e deixou-o ficar no mesmo sítio. O faroleiro praguejava aflito:
– Raios partam o mar!
E, elevando a voz, recomendava ao neto:
– Tem cautela! Espera a monção. Desceu do rochedo e voltou para a praia.
Quando uma vaga, que vinha ondeando de longe, se aproximou do barco, o
Macário, ao voltar-se para trás, deixou escapar da mão o remo. Tentou
apanhá-lo; mas, erguendo-se de repente, desequilibrou o barco, e o remo,
saltando fora da forqueta, caiu à água e afastou-se para longe. O
faroleiro ergueu os braços trémulos num gesto de aflição, e exclamou:
– Lá vai um remo! Está perdido! Subiu rapidamente a praia até ao sopé da
encosta, esperando ansioso que passasse alguém que fosse chamar socorro.
A estrada estava deserta. Voltou logo para a beira do mar. O barco
continuava no mesmo sítio, sacudido pelas ondas. O Macário tinha
abandonado o remo que lhe restava, e, com as mãos aferradas às amuradas,
esperava que uma vaga mais forte impelisse o barco para o areal. De
longe, e em diagonal com a costa, vinha ondeando o mar num vagalhão
escumoso, que roncava ameaçador. Era o lance decisivo. Ou aquela vaga
trazia o barco para terra, ou o deixava ali, em risco de ser tragado
pelo redemoinho da ressaca. O faroleiro, com a respiração suspensa, não
desviava os olhos arregalados do barco, fitando-o com a fixidez
angustiosa de quem prevê uma grande desgraça.
Chegou a vaga, ergueu no seu dorso o barco, pondo fora da água uma parte
da quilha, fê-lo dar uma volta rápida, e arremessou-o violentamente de
encontro aos rochedos.
O faroleiro levou de repente as mãos ao peito, como se sentisse
subitamente estrangulado, soltou um grito rouco, e caiu redondo, ficando
estendido na areia, paralelo ao mar!
*
* *
Quando caiu a noite, já no céu brilhavam as estrelas. Tinha amainado o
vento, e o murmúrio doce do mar parecia o arfar compassado e lento do
peito de um gigante, que acabasse de sustentar uma luta formidanda.
A filha do faroleiro, vendo que nem o pai nem o Macário apareciam, saiu
de casa sobressaltada. Foi direita ao farol, e ficou espantada de o ver
às escuras, quando, àquela hora, devia já estar com as lanternas acesas.
A porta da casa da guarda estava aberta.
– Meu pai – gritou ela.
Ninguém respondeu. Desceu a correr a encosta, e foi à barraca do José
Piloto. Contou de afogadilho o que se passava. Nem o José / 16 / Piloto,
nem nenhum dos marinheiros que ali estavam tinham visto o faroleiro. A
pobre mulher desatou a chorar aflita, suplicando em soluços que a
ajudassem a procurar o pai e o filho. Saíram todos da barraca.
– Não se aflija – dizia o José Piloto para a consolar – não se aflija,
que eles hão-de aparecer. Vamos em busca deles.
A alguns passos da barraca, parou, e considerou:
– Pelos modos, como se não avistava nada ao longe, o faroleiro embarcou
com o neto; e, como o mar era muito, em vez de voltarem por onde havia
rochedos, foram saltar em qualquer sítio que não tivesse pedra.
– Não foi outra cousa – obtemperou um dos fregueses da barraca.
– O melhor, por isso – resolveu o José Piloto – é irmos em dois ranchos,
um que vai pelo norte, e outro pelo sul.
Separaram-se em dois grupos, seguindo um para o norte com o José Piloto,
à frente, e outro para o sul com a filha do faroleiro.
*
* *
Andavam correndo toda a costa com archotes acesos. A cada passo, por
entre o marulho brando das ondas, ouviam-se estes gritos, que partiam,
umas vezes de um, outras vezes do outro grupo:
– Ó meu pa…. Ai!
– Ó farolei... eiró!
E estes gritos, repetidos a cada instante, prolongavam-se na vastidão
silenciosa da costa, ecoando, como um lamento, nas anfractuosidades dos
rochedos. O clarão dos archotes, ora aparecia no alto da penedia,
seguindo os acidentes escabrosos, ora baixava ao areal; e, de longe, na
penumbra fumacenta que se espalhava em torno da chama, destacavam-se as
figuras do grupo, marchando e gesticulando como sombras sinistras.
– Ó meu pa... ai!
– Ó farolei... eiró!
*
* *
Foi o grupo do José Piloto o que primeiro chegou à praia, onde embarcou
o Macário. O homem, que caminhava à frente, com o archote erguido ao
alto, ao saltar da rocha para a areia, estacou de repente, e exclamou:
– Cá estão eles!
Desceram os outros precipitadamente.
E lá estavam! Lá estavam estendidos na areia, à borda do mar, o
faroleiro e o Macário, um chegado ao outro, como se uma onda carinhosa
houvesse trazido o corpo do neto para o juntar ao corpo do avô.
Acercaram-se todos em torno dos dois mortos, contemplando-os silenciosos
e consternados.
E, como a noite estava serena e a maré vinha subindo lentamente, as
ondas, que se espraiavam na areia, cobriam o faroleiro e o neto com um
manto de espuma branca, como se fosse o mesmo lençol de linho a
amortalhar os dois cadáveres!
ALBERTO BRAGA
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