Liturgia Pagã

 

A Páscoa é sempre pagã

 

Pagão tem a nobreza antiga de pujante raiz de palavras:

PAK – Tem a força dos pactos e a estabilidade da paz

A solidez do pau que marca os limites dos campos fecundos

Ao redor dos pagos, longe da corrupção das cidades,

E a beleza da página bem lavrada em esquadria

Imitando os sulcos que fertilizam a terra.

 

Mesmo com nuvens negras, é sempre um dia bonito.

E as cruzes engalanadas difundem o cheiro a vida.

 

A Páscoa é sempre pagã

Porque nasce com a força da primavera

Entre as flores que nos cativam com promessas de frutos.

Porque cheira ao sol que brilha na chuva

E transforma a terra em páginas cultivadas

Donde nascem os grandes livros, os pensamentos

E as cidades que se firmam em pactos de paz.

É a Páscoa dos Discípulos de Emaús:

Afastavam-se de Jerusalém lembrando esperanças perdidas.

(Dói muito ver partir quem caminha connosco de braço dado…)

Mas guardavam de Jesus uma imagem luminosa

Porque o seu agir e falar apontavam para o futuro

Para o bem maior das gerações que vão crescendo

(Lembrando que a mulher em dores de parto

Exulta de alegria por ter gerado vida nova).

Confusos de tão tristes

Não conseguiam abrir as páginas da Vida.

Quando as souberam ler?

– Ao darem atenção ao estranho viajante

Que se lhes juntou na grande caminhada…

2026-04-01


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