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Variedades
MONUMENTO AO MARQUÊS DE POMBAL
CONSTITUIU-SE oficialmente a grande comissão nacional
que deve levar a efeito a ideia de se levantar em Lisboa um
monumento ao Marquês de Pombal, o omnipotente ministro de D. José I.
Sebastião José de Carvalho foi um ditador por
excelência, mas o seu absolutismo era o germe fecundo da liberdade,
porque do conjunto de todas as suas medidas havia de resultar o
progresso material e moral do povo português.
A todo Portugal, pelo modo por que ele sustentou e
fez respeitar os seus direitos, orientou a sua instrução, criou e
desenvolveu as suas mais poderosas fontes de receita, e sempre o
serviu com amor e lealdade, corre o dever impreterível de saldar a
sua dívida de homenagem à memoria do incomparável estadista, cujo
nome se pode colocar sem desvantagem ao lado dos de Cavour, de
Bismarck, de Tailleyrand, de Richelieu.
Mas Lisboa, era, naturalmente, o melhor pedestal para
suportar a estátua de Pombal: o terrível terramoto de 1755 tornara
num montão de ruínas a opulenta cidade do Tejo, e só ao fiat
do imperturbável ministro é que ela pôde surgir radiante dos
destroços de tamanha catástrofe.
Para erigir o monumento se abriu uma subscrição
pública no dia 8 de Junho, aniversário do nascimento do Marquês, a
qual vai avolumando.
O ENTERRO DO GRAU
O que era o Grau?
Que foi o enterro do Grau?
Grau era o pretexto tradicional de uma cerimónia que
se realizava na Universidade de Coimbra de cada vez que um aluno
concluía o seu curso, e lhe era reconhecido o direito de receber a
carta de bacharel. Uma recente determinação do Governo pôs termo a
esse antigo costume, e logo os estudantes da Universidade se
lembraram de celebrar o fim do Grau, promovendo-lhe o enterro.
Mas tão vivo e alegre alarido fizeram com tal motivo
de folgança, tal programa de galhofa organizaram e espalharam para
os dias destinados à celebração, que de toda a parte do país foram
curiosos a Coimbra assistir aos funerais. E todo o programa,
jovialíssimo, correspondeu inteiramente à expectativa.

PROGRESSOS DO FEMINISMO
EM um relatório oficial agora publicado na Inglaterra
há interessantes indicações sobre os progressos do feminismo, de
1871 para cá.
Naquele ano, eram 5.000 as mulheres inglesas ocupadas
nos serviços administrativos; esse número subiu depois a 8.500. As
jornalistas, autoras de novelas, poetisas, que eram 225, chegaram a
ser 960; e as repórteres, que ainda então não existiam, passam hoje
de 220.
Conquanto já em 1871 houvesse nas escolas de medicina
muitas raparigas / 92 / estudantes, nenhuma exercia a profissão de
médico. A estatística em que se baseia o Relatório que temos em
vista fixa em 250 as mulheres doutoras. As enfermeiras são 53.000,
as pintoras, gravadoras, escultoras, arquitectas, 3.050. As mestras
de música, 19.000, as actrizes, 3.698.
ENVENENAMENTO PELAS UVAS
“Bristish Medical Journal”
cita alguns casos de envenenamento pelas uvas, cujas cepas haviam
sido regadas com suco de tabaco, numa fórmula muito concentrada,
para destruição de insectos e parasitas. As pessoas que comeram
dessas uvas tiveram vómitos, síncopes, e sintomas graves de
intoxicação. Os médicos chamados para as tratarem foram de opinião
unânime de que estavam em presença de casos de envenenamento pela
nicotina.
QUANTO COME UM SOLDADO INGLÊS
AS refeições do soldado inglês são três: almoço,
jantar e chá. As duas primeiras são obrigatórias; a última é
facultativa. O almoço é servido às 8 horas da manhã, o jantar à 1 da
tarde e o chá às 4 da tarde.
A ração diária inclui 1 arrátel de pão e 3 quartos de
arrátel de carne. O resto compõe-se de porções regulamentares de
chá, café, hortaliças, manteigas, geleia, ovos, peixe, etc.
Durante a última campanha de África Meridional cada
soldade tinha a seguinte ração diária: 1 arrátel e quarta de pão ou
1 arrátel de bolacha; 1 arrátel de carne; meio arrátel de legumes e
hortaliças; 4 onças de geleia; 3 onças de açúcar; 1,6 onça de chá;
1,3 onça de café; sal e pimenta.
Um exército de 50.000 homens, com os respectivos
cavalos e muares, calcula-se que precisa durante 30 dias nada menos
de cinquenta mil toneladas de mantimentos.
OBSERVAÇÃO DAS CAMAS
DE um interessante inquérito aberto por um magazine
inglês entre os seus leitores, resulta que a melhor maneira de
colocar a cama, para ter um sono tranquilo e salutar, é com a
cabeceira para o norte.
AS HORAS DE SONO
UM médico ilustre fez vários estudos sobre as horas
que se devem dedicar ao sono. O adulto deve dormir pelo menos 8
horas e meia, e o velho 9 horas. Depois de uma experiência de 26
anos conseguiu arranjar o seguinte mapa :
IDADES
HORAS
15 anos
10 horas
19 “ 9 e meia
21 a 48 (homem) 8 e um quarto
21 a 48 (mulher) 9 horas
48 a 59 (homem) 9 horas
48 a 59 (mulher) 9 e três quartos
Além dos 59 anos é muito dificil dizer quanto se pode
dormir, mas já se têm encontrado pessoas com 65 anos que dormem mais
horas do que as que têm 50.
UM REI CRIANÇA
QUANDO Afonso XIII de Espanha era uma criancita,
tinha o mau hábito de meter a faca na boca às refeições.
Repreendeu-o a aia por esse motivo.
– «As pessoas bem educadas nunca fazem isso.» – disse
ela.
– «Mas eu sou rei." – retorquiu o pequeno monarca.
– «Os reis ainda menos fazem semelhante má criação.»
– volveu a aia.
– «Ah! sim! Pois fá-la este rei.» – concluiu Afonso
XIII.
CÃES POLÍCIAS
Os cães são empregados com excelente êxito pela
polícia de Filadélfia, fazendo serviços análogos aos dos cães de S.
Bernardo, a cuja raça pertencem. Patrulham a rua à noite, e,
empilhando um bêbado caído, vão logo chamar o polícia mais próximo.
Com o seu maravilhoso faro, percebem de longe o cheiro a queimado, e
avisam imediatamente para se atalhar qualquer incêndio. Acodem
igualmente às crianças desgarradas, que conhecem facilmente por as
verem sozinhas a chorar.

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