DESDE o primeiro salto, que dei por esse mundo, fui logo fadado, quero crer, para uma vida aventurosa. Se aos homens acontece isto, porque não será determinado outro tanto para os cangurus pelos deuses que lhes regulam a existência? E que de coisas eu tenho visto e feito nas eternas peregrinações através das florestas da minha Austrália!...

Se duvidam, posso mostrar-lhes o registo das aventuras nas cicatrizes numerosas semeadas por toda a minha pele e nem sempre cobertas de cabelo. São os troféus das façanhas que esmaltam o meu longo passado, especialmente esta grande costura que tenho aqui, na frente do pescoço, e que um cão de caça…

Oh! Ainda não há nenhum que me assuste! Nem dois ou três me fazem recuar. Pois escapei a alguns de respeito!

Vi a morte mais perto de mim, do que vejo neste momento o papel em que escrevo; mas porque ainda cá estou, não me julgo com direito de escarnecer dos homens nem dos cães, que não conseguiram matar-me. Já sou velho, e por isso tenho o juízo amadurecido.

Querem que me apresente? Sou pardo escuro desde a cabeça até aos pés, incluindo a própria cauda, parte para nós, cangurus, muito importante.

Só pareço mais claro quando os cães ou os caçadores passam por barlavento, buscando-me através do mato, e o pelo todo se me eriça. Ah! também tenho uma listra clara pelo peito abaixo.

Quando me ponho em pé, como qualquer homem, tão alta como a de um homem fica a minha cabeça, mas o meu focinho, não é por me gabar, serve para muito mais que o focinho de um homem. Desafio todos eles, e até os seus cães, para farejarem melhor que nós a aproximação do inimigo. Até quando estamos a dormir!

É que os homens e os cães se abarrotam, umas poucas de vezes ao dia, com toda a casta de alimentos ruins, e contra a natureza, como é por exemplo a carne dos outros animais e principalmente uma certa sopa.(1) Como poderiam então manter os sentidos em toda a sua vivacidade, especialmente o mais delicado e útil, o olfacto? Mas ainda bem, para nós cangurus, que os nossos inimigos, não têm as narinas muito sensíveis! De outro modo já teríamos deixado de existir.

E que ideia extravagante os homens formam a nosso respeito!

Um dos nossos, que esteve preso / 64 / algum tempo, contou-me, por exemplo, que eles julgam o canguru desprovido de linguagem pela qual se entenda com outro canguru, e que se falamos alguma vez é quando estamos para morrer. Pois há maior disparate! Prova apenas a curteza de vista que sofre a humanidade. Como não têm outra maneira de expressar-se a não ser aquela tão perigosa, bulhenta e grosseira, conclui que não podemos ter mais nenhuma. Fossem perspicazes os homens e conheceriam que falamos constantemente com as orelhas, com os olhos, com o focinho, com as mãos, com o rabo, e principalmente com os pés.

Suponha-se que, em número de vinte ou trinta, andamos a pastar muito sossegados da nossa vida no meio do silêncio da noite e que uma das nossas sentinelas, afastada um quarto de milha do corpo principal, ouve ou fareja a aproximação de gente, que vem caminhando através do mato. Julgam que cai na asneira de desatar aos berros, dando o alarme? Se tal fizesse, ao mesmo tempo que nos avisava, também avisava os nossos inimigos. Então é que é falar com os pés! Soubessem os homens ouvir, e conheceriam que as nossas sentinelas batendo no chão conseguem avisar-nos, não somente da aproximação dos inimigos, mas do número destes e da direcção que levam.

Tenho ouvido dizer que os homens, na sua lamentável cegueira, julgam descobrir nas nossas acções carência do instinto maternal, por isso que algumas fêmeas de cangurus, quando perseguidas pelos caçadores, atiram para longe os filhos, e tratam de salvar a pele fugindo a sete pés. Calúnia e despautério. É que não sabem, certamente, que nos costumamos aninhar no saco materno até chegarmos à idade madura. Se nossas mães quisessem então fugir aos cães de caça, carregadas com aquele trambolho, acontecia-lhes forçosamente ficarem na boca dos negregados, juntamente com a sua prole. É regra estabelecida entre nós que toda a mãe que for perseguida de perto pelos caçadores, trate de pôr a salvo os filhos ainda incapazes de se defenderem. Se não puder colocá-los em lugar mais seguro do que o saco respectivo, tem obrigação de fazer frente a todos os perigos.

/ 65 / Ainda me lembro do que fazia minha mãe, muito tempo depois de meu pai – um valente! – ter sido morto, e quando eu ainda era pequeno mas já muito airoso, tão pequeno que a minha cauda, na raiz, não tinha mais de três polegadas de grossura. Quando nos davam caça, encaixava-me para dentro do grande saco, mas, se o perigo era terrível, parava, puxava-me para fora agarradinho pelo cachaço, expedia-me para um lugar do mato à sua direita, onde eu ficava muito acaçapado, corria para a esquerda como uma bala e parava outra vez à espera de que os cães a avistassem, para romper então para a frente numa tal corrida, que nem o vento seria capaz de apanhá-la.

Em chegando a alguma encosta, que a ocultasse aos cães, dava um salto de uns vinte pés para o lado e agachava-se, muito cosida com o mato ou com as ervas altas. Os cães passavam-lhe adiante na corrida doida em que iam, e ela, voltando para trás aos zigue-zagues, vinha ter ao sitio onde eu estava, para me sossegar.

E como as nossas mães sabem sustentar-nos, quando somos muito, muito pequeninos e não temos em todo o corpo a mais leve sombra de pelo!

Metem-nos nos seus sacos muito quentes e macios, e deitam-nos o alimento para a boca, ainda incapaz de chupar.

Aquele saco é a nossa casa. Ali estamos ao abrigo de todos os males, que poderiam acontecer-nos no meio da floresta.

Temos três quartas partes do tamanho de nossas mães e ainda ali vamos buscar refúgio, amorosamente resguardados do mundo exterior.

O primeiro acontecimento que se deu na minha vida e de que ainda me lembro bem, foi o seguinte: eu era pequenote e andava com meu pai e minha mãe pela abençoada região da Austrália, que os rios Clarence e Stefens fertilizam, e onde é basto o arvoredo e fresquíssima a relva. Tosávamos um prado muito satisfeitos do pasto, senão quando minha mãe fita as orelhas, agarra-me pelo pescoço e mete-me para o saco, dizendo ao mesmo tempo meu pai uma coisa, que não pude ouvir bem, porque o saco era muito fundo. O que sei é que fugimos, com uma velocidade, que eu até ali desconhecia. Calculo que ela não galgava menos de vinte passos em cada salto, embora do lugar onde eu ia não pudesse fazer a verificação por meus próprios olhos, nem pedir informações à minha mãe, a cuja pele ia agarrado com unhas e dentes, uma / 66 / parte do corpo pendente e exposta a bater nas pedras e nos troncos ou a ser arranhada e chicoteada pelas vergônteas e rebentos. Mas pior ainda era o que minha mãe provavelmente sofria. Chegava até a incomodar-me com a bulha que fazia, respirando apressadamente, com o tum-tum-tum do seu coração.

– É o homem de cabelo vermelho da herdade do Riacho – segredou meu pai, estacando ao lado de minha mãe, na encosta pedregosa de um profundo barranco, para onde se tinham precipitado. Esta paragem súbita fez-me apanhar uma valente sacudidela, mas dei-a por bem empregada, sabendo que tínhamos assim obrigado a um grande rodeio os nossos perseguidores.

– O cavalo que ele monta – disse tambem meu pai – não passa de um reles sendeiro, mas – pela força da minha cauda! – os cães são bons corredores. Felizmente devem estar cansados.

Continuámos a correr e fomos dar junto de uma grande rocha forrada de musgo. À nossa direita o desfiladeiro abria-se para um terreno plano, e à nossa esquerda ficava a estreita vereda, por onde tínhamos vindo.

– já não posso mais – disse minha mãe, arquejando. – O pequeno pesa imenso! Não tardam aí os cães e o homem. Vamos fazer-lhes frente!

– Não! O melhor é ires-te embora.

Eu fico à espera deles.

– A cadela deixa-a por minha conta! – foi a única resposta de minha mãe. E sentiam-se-lhe ranger os dentes, quando me impeliu mais para o fundo do saco, ao mesmo tempo que se arrastava atrás de meu pai para o lado da estreita abertura, por onde os cães não tardariam a aparecer.

Daí a um instante estavam efectivamente a contas connosco, primeiro um cão cinzento; e depois uma cadela: dois brutos possantes e ligeiros. Eu tinha o focinho a sair do saco materno, e não sei como os olhos não me saltaram da cabeça, quando vi os dois monstros atacarem meu pai. Com que valentia ele os esperava, encostado à rocha e a cabeça inclinada graciosamente, na melhor posição – aprendi-o depois – para evitar o fatal estrangulamento!

O cão só por uma unha negra deixou de apanhar o pescoço de meu pai, e apenas conseguiu mordê-lo numa espádua, mas logo caiu para trása, com o sangue a espadanar por uma ilharga. O pé direito de meu pai tinha falado!

Seguiu-se logo o ataque da cadela, que também não fez dano ao autor dos meus dias, e, antes pelo contrário, lhe deixou nas unhas, ao roçar por ele como uma bala, boa porção de pele e de cabelo.

No entretanto – faça-se ideia – eu tremia como varas verdes, ouvindo os ladros terríveis dos dois inimigos, que voltavam a agredir meu pai.

O herói já estava todo coberto de sangue e batalhava com as mãos para a sua frente, movendo-as como se fossem asas.

Ouvi de repente, por cima de mim, um grito agudo dado por minha mãe, que saltava em defesa do companheiro: um instante depois o ventre ensanguentado da cadela batia-me na cabeça, empurrando-me para o fundo do saco. Ao mesmo tempo, sinto a voz de meu pai, bradando: «Vai-te! Vai-te já daqui!»

Tornei a espreitar e vi-o despedaçando o corpo do cão cinzento, enquanto minha mãe atirava para longe, com o pé direito, a cadela, no momento em / 68 / que corríamos para o terreno plano. Tinha-lhe feito um fundo rasgão de cima para baixo, e deixara-a estendida, ofegante!

Não tornei a ver meu pai, mas soube depois que morrera de bala, e que o cão cinzento ficara para sempre junto da rocha coberta de musgo.

Mas nem todas as caçadas são tão perigosas como aquela. A prova é que estou vivo, tendo visto mais de cem. Quando as mães, com os filhos a aumentar-lhes o peso, estão bem escondidas (como aconteceu à minha, no final desse dia tão funesto) e são caçados unicamente os que têm idade e força para a luta, afianço-lhe que nem sempre os homens se ficam a rir de nós.

Com muitos factos da minha vida o poderia demonstrar. Contarei apenas um, que me deu celebridade.

Numa manhã bastante quente estava eu a dormir muito sossegado no fundo de um barranco, e até sonhava que andava pastando no meio de um imenso milharal, eis que fui acordado por um fétido fortíssimo cheiro a homem e a cão. O meu sono era pesadíssimo, porque só despertei quando os meus inimigos se achavam a poucas jardas de mim, na crista do barranco. Eram quatro canzarrões de cangurus e um rapaz montado num cavalo castanho. Enquanto o demo esfrega um olho, pus-me em três pés, conforme se diz em língua canguru, isto é, fiquei muito aprumado sobre as pernas traseiras e a cauda, de sorte que a minha cabeça excedia pelo menos um pé a de um homem de estatura elevada. Deitei, desta altura, os meus cálculos e despedi um salto de dezanove pés por sobre o fundo do barranco, deixando de boca aberta e de olhos esbugalhados – aposto quanto quiserem – os cães e o rapaz. Parecia-me que facilmente me distanciaria deles, mas o esquecimento das pacientes lições de meu defunto pai esteve, por um triz, a acabar a caçada logo à primeira milha. Na própria ocasião em que ia saltando, pus em prática o funesto costume da minha raça, quero dizer, voltei a cabeça para todos os lados, na ânsia de saber o que seria feito dos meus perseguidores.

Zás! – Não vi uma grande árvore e bati de encontro a ela, no meio de um salto de dezasseis pés. Meio tonto, rolei pela encosta escarpada / 69 / de outro barranco, felizmente de muito menos fundura, e fui ter lá abaixo mais morto do que vivo, quase embrulhado com o cachorro da frente – um bruto de meter medo, fortíssimo e todo preto, que já estendia para mim a boca espumante.

Puxei para trás a perna direita, por baixo da barriga do cão – escuso de dizer que estava deitado de costas – e empurrei-o para diante com quanta força tinha. Não quero gabar-me, mas afianço que o canzarrão preto fIcou aberto até ao espinhaço, e que nunca mais tornou a pôr-se em pé.

O segundo cão agarrou-se-me à cauda, quando eu me preparava para saltar, depois de ter dado cabo do primeiro. Teve de largar-me. Eu estava todo empastado no sangue, que me borbulhava do pescoço, e assim continuei durante as três milhas que o barranco distava da lagoa mais próxima.

Pode haver cangurus zangados por todo esse mato, mas tanto como eu ia naquele aperto, juro que não há nenhum!

Quando cheguei à margem pedregosa, já sentia bem pouca vontade de correr, de forma que o mais ligeiro dos três cães pôs-se, num pulo, ao pé de mim. Não fiz mais do que tomá-lo nos braços, qual mãe brincando com o filho.

Mas o meu abraço não foi de brincadeira! Se o cachorro nem podia abrir a dentuça!...

Sem o largar, saltei com ele para dentro de água e mergulhei, tendo o cuidado de só voltar à superfície quando conheci, pelas sacudidelas, que o cachorro me dava convulsivamente, que já pouca vida lhe restava. Preguei-lhe então um empuxão fortíssimo com os pés, calcando-o para o fundo, a fim de acabar de afogá-lo e corri a encontrar-me com os outros. Eram mais pequenos e tinham pelos modos, mais juízo, visto que se não aventuraram à lagoa: estavam na margem, ladrando e babando-se, à espreita de que eu saísse da água.

Quando me viu deitar a cabeça de fora, o rapaz galopou para mim, apeou-se e tirou da cinta um revólver. Como já sabia para que servem / 70 / os revólveres, dei um salto para o rapaz e agarrei-me a ele com ânsia, ao mesmo tempo que o revólver disparava para o ar. Mas não era das coisas mais fáceis segurar o sujeito, porque os seus esforços exerciam-se nas direcções que eu menos podia esperar, e zombavam dos que eu empregava para obrigá-lo a mergulhar.

Afinal cantei vitória, mas, quando tratava de metê-lo bem para o fundo, senti-me agarrado pelos dois cães, de que me tinha esquecido totalmente e que me puxavam com força, cada um para o seu lado. Não tive mais remédio que largar o homem. Depressa chegou à margem e correu para o cavalo.

Como o revólver tinha ficado dentro da lagoa, não me importei mais com o dono e tratei unicamente dos cães, afogando um e despedaçando o outro, que ainda deixei arquejando ao de cima da água, quando fugi a esconder-me no mato, muito longe dali.

Após esta façanha, a maior talvez que tem feito um simples canguru, gozei, durante uma semana, o descanso a que tinha todo o direito.

Se foram grandes os perigos daquele dia, a outros maiores ainda tenho escapado. Nenhuns mais terríveis que os de uma batida dos cangurus!

Felizmente vai-se tornando rara esta selvajaria medonha, talvez porque os homens conhecessem que assim acabariam por exterminar-nos, cometendo uma crueldade inútil, visto não tirarmos aos seus carneiros e outro gado a alimentação precisa, para mais que nos aproveitamos dos frutos do sertão australiano.

A primeira batida que vi, foi quando o meu tamanho não fazia mais do que três quartos do que é hoje. Nesse tempo nunca me tirava de ao pé de minha mãe.

De súbito passaram ao nosso lado muitos cangurus e dezenas de outros habitantes do mato, mais pequenos do que nós, fugindo todos à desfilada. Era o medo que os fazia correr assim e que nos levou também de roldão. Acontecia outro tanto em milhas e milhas de mato. Porquê? Porque vinha avançando uma muralha viva de homens, cães e cavalos, formando um grande arco sempre a encurvar-se em volta de nós, e levando-nos despiedosamente, arrebanhados como carneiros que vão para a tosquia, a morrer dentro dum enorme campo fechado por uma extensa paliçada.

Minha mãe recobrou-se do susto e gritou-me que a seguisse. Demos grandes saltos e escapámo-nos pela tangente à linha avançada dos fugitivos.

– Ainda nos livramos desta vez! – dizia eu comigo mesmo enquanto fugia, dando três saltos para galgar o espaço que minha mãe atravessava num só.

– Para trás! – gritou-me ela, com a voz a tremer.

Olhei para diante e arrefeci até à medula dos ossos, vendo através de uma aberta do arvoredo um homem armado de espingarda e acompanhado por um grande cão escuro, preso à trela. Minha mãe estava tão fora de si, como a turba muita que fugia. Ainda que viva tanto como um papagaio, nunca me hei-de esquecer das correrias que demos às cegas pelo meio da carnificina, gritando, tropeçando nos corpos mortos de outros habitantes do mato.

O espaço por onde podíamos passar ia-se reduzindo cada vez mais com a aproximação da muralha viva, que se fechava em roda de nós.

Já se avistavam perfeitamente os homens, os cavalos e os cães, de todos / 71 / os lados para onde nos virássemos. Todos menos um. Se pudessemos atravessar por ali, estávamos salvos. Que luta para lá chegar! E a morte a espreitar-nos sempre! Afinal chegámos. Os que corriam na frente não puderam ir mais adiante. Os que vinham depois caíram-lhes em cima, e outros por cima destes, obrigados pelos cães e pelos homens. Fui arrebatado juntamente com minha mãe. Ela caiu e eu senti o tropel de mil pés atrás de mim.

– Trepa! – ouvi minha mãe gritar. Agarrei-me com as mãos à rede da paliçada. Trepei, caí… Estava sozinho no mato livre. Assobiou-me o que quer que fosse por cima da cabeça; ouvi um tiro e a voz de um homem atiçando os cães. Deitei as orelhas para trás e corri pelo campo aberto, dando saltos desesperados e fazendo, em breve, renunciarem à perseguição os cães que vinham atrás de mim.

Foi esta a última vez que vi minha mãe. Se eu quisesse falar de horror maior ainda, contaria o que é um incêndio no mato. Nada mais terrível! O fogo leva diante de si tudo o que vive sobre a terra ou debaixo dela, no ar e nas árvores, chicoteando com azorragues de labaredas e nuvens de fumo a todas as criaturas que respiram, e que morrerão sufocadas, se antes o lume as não tiver envolvido.

Lembram-se do que contei da batida? Imaginem que em vez dos homens e dos cães há chamas, e já fazem ideia de um incêndio no mato.

Mas felizmente não há batidas nem incêndios a toda a hora.

Temos dias de completa satisfação, como por exemplo, os da Primavera, quando o campo fica todo verdejante e vemos os nossos pequeninos retouçarem por entre os silvados e na relva fresca e viçosa.

Quis falar disto em último lugar, para que não pensem que julgo a vida coisa absolutamente detestável.

Tanto não sou desta opinião, que não desejo ir-me embora tão depressa. O ponto é continuar escapando dos perigos, como tenho conseguido até hoje.

A. J. Dawson

 

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(1)  –  O autor destas memórias refere-se evidentemente à sopa de rabo de canguru, que os australianos consideram uma especialidade.
 

 

 

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