ACTUALIDADES
 

A vida nos campos

OUTUBRO

 

NO CAMPO

Depois da colheita das uvas, ou vindima, segue o lavrador com a colheita da azeitona e começo dos trabalhos do fabrico do azeite.

Não só entre nós, como também em alguns países estrangeiros, e onde os processos culturais se acham mais bem estudados, se emprega a vara na apanha da azeitona. Fazemos esta observação para nossa desculpa. O varejamento das oliveiras é operação tão condenável, que expõe quem a pratica ou consente a juízos bem pouco lisonjeiros. Embora haja opiniões que procurem a aprovação do processo, basta examinar-se minuciosamente uma oliveira, utilíssima árvore merecedora de todo o carinho, depois de mandada açoitar barbaramente pelo dono, para que largue ali todo o seu rendimento!

Uma desolação! Compreende-se logo a razão da contra-safra, ou falta de rendimento de um olival alternado com a safra, ou rendimento normal; os germens da frutificação ali ficam completamente destruídos pelo cacete ou vara. Enfim, contentemo-nos com o facto de se ver aparecer aqui e ali, a pouco e pouco, quem vá pondo a rotina de parte e lançando mão dos processos racionais.

Colhida a azeitona à  mão ou à vara, é apanhada do chão por mulheres, que aos ranchos acompanham a sua lida com as características cantigas da região, ora lisonjeiras, ora deprimentes, para amigos ou inimigos que, não ficando atrás, alimentam com interessantes réplicas a animação da cena. Não quer isto dizer que o trabalho da apanha sempre assim corra animado, pois que isso depende da jovialidade do pessoal, que nem sempre é o mesmo.

A azeitona é levada para o lagar, onde toma lugar nas tulhas ou caixas de madeira ou alvenaria, enfileiradas junto à parede.

Crêem quase todos os lagareiros que quanto mais tempo a azeitona ali se demorar mais azeite produz. É mais um preconceito merecedor de uma luta insistente.

Se a azeitona demorada nas telhas apresenta maior facilidade em ser esmagada, é porque começou a sua decomposição, e esse estado é o primeiro passo para a fermentação ou a acidez do azeite, que hoje não é admissível senão até um grau muito inferior.

Se a azeitona pudesse ser trabalhada, como as uvas, à medida que vão sendo colhidas, o produto seria invariavelmente tão perfeito quanto o permitisse a qualidade delas.

Como para isso é necessário uma importante transformação do lagar, que não pode ser rápida, tem de se fazer esperar o fruto armazenado.

Para isso é necessário estendê-lo em camadas de menos de palmo de altura, em sítio arejado, O mais cómodo é estabelecer estrados sobrepostos, num pavimento por cima do lagar, para onde seja fácil fazer cair a azeitona dentro da tremonha do moinho. O arejamento mais perfeito é uma corrente de ar graduável, segundo as necessidades, e obtida por meio de janelas opostas.

Colhida e armazenada a azeitona, segue o trabalho de extracção do seu óleo, de que nos ocuparemos no mês seguinte.

 

NA VINHA

Na vinha trata neste mês o viticultor de fazer as primeiras cavas preparatórias para o inverno, enterrando as parras que ficaram soltas depois da vindima.

É, no entanto, na adega que se concentra mais a sua atenção, por estar a acabar a fermentação dos mostos, e com isso o completo desdobramento do açúcar e sua transformação em álcool. Esta evolução chamada fermentação lenta, dá-se em geral nas vasilhas, onde o vinho vai aclarando ou limpando pelo assentamento das borras.

Os cuidados que o vinho necessita, a atenção que se torna necessária para acompanhar todo o processo da sua formação, constitui dificuldades que nem todos vencem, mas que dão origem a uma predilecção / 344 / tão profunda por este ramo de indústria agrícola, que só com isso se pode explicar o assustador alargamento dos vinhedos no nosso país

 

NO JARDIM

PLANTA-SE neste toda a espécie de plantas bulbíferas, tais como íris, jacintos, aurículos, junquilhos, etc.; e recolhe-se das geadas no inverno aquelas que têm de ser metidas na terra mais tarde, como dálias, boas noites, gládios, etc.

Também neste mês se muda para vasos as estacas das flores que, retiradas para sítio abrigado, podem alegrar-nos os tristes dias do inverno com as suas flores mais ou menos vistosas e de variegadas cores e com os seus deliciosos aromas.

No número destas conta-se as cinerárias, asteres que a nossa gravura representa, e que de uma variedade de cores nas suas pétalas, circundando o botão central amarelo, produzem um aspecto alegre em qualquer salão.

Também começa neste mês a aparecer o crisântemo ou despedidas de verão, uma das flores que mais trabalho dá.

 

Vida no sport

A taça aeronáutica Gordon-Bennett

REALIZOU-SE no dia 30 de Setembro em Paris o grande concurso aeronáutico para disputar a taça Gordon-Bennett. Sete nações se fizeram representar: Inglaterra, Espanha, Itália, América, Bélgica, Alemanha e França. O prémio pertencia à maior distância percorrida. Foram dezasseis os balões que se elevaram do jardim das Tulherias. O vencedor foi o Sr. Frank Lahm, campeão da América, o qual desceu 15 milhas ao norte de Scarborough (Inglaterra). O segundo foi o Sr. Vonwilier, num balão italiano, e o terceiro o conde de La Vaux (francês).

O ilustre aeronauta Santos Dumont foi vítima de um ligeiro desastre, tendo que desistir da corrida. O seu aeróstato tinha uma construção especial. Era o único que possuía um apêndice automático. Além disso, a barquinha era  munida de dois hélices ascensionais para evitar a demasiada despesa de areia, de onde resultou fazer a elevação com muito maior facilidade que os outros concorrentes.


Contra poeira da estrada

ESTÁ-SE experimentando em Inglaterra um preparado, chamado Hahnite para evitar a poeirada nas estradas, que, sobretudo com a crescente circulação dos automóveis, se vai tornando um terrível flagelo. É uma emulsão de natureza oleaginosa, e pode misturar-se com água, Os fabricantes alegam em seu favor a eficácia em apagar o pó, a duração, a relativa barateza, o não se estragar com a chuva e evitar a lama, a preservação que dá às estradas, e o ser um desinfectante, eficaz. O custo da primeira rega, para cerca de seis semanas, anda pelo mesmo que com água não diluída, mas depois não passa muito de metade. As nossas ilustrações mostram como se emprega a solução por meio de um carro de regas vulgar e um automóvel passando sobre a estrada já preparada.
 

 

 

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