II

1537-1772.

Coimbra. Pareceu de acerto a medida, a julgar pelo brilho e desenvolvimento da Universidade pouco depois da sua mudança para Coimbra. Se foi curto o seu período de vida intensa – uns estreitos vinte anos – a transferência nada podia influir na decadência rápida, e representou talvez em si, nessa época, uma condição e um motivo de êxito, embora efémero.

Como o antigo Estudo Geral se tinha sucessivamente desenvolvido, em material e pessoal, desde a última mudança para Lisboa em 1377 – não se tornava agora fácil a sua nova instalação em Coimbra, onde não havia edifício apropriado bastante espaçoso.

Recorreu-se ao expediente de dividir as faculdades por diversos locais. Provisoriamente, ficaram umas nas aulas dos colégios pertencentes a Santa Cruz, e outras nas casas ocupadas pelo Reitor D. Garcia de Almeida, junto do arco de Belcouce, onde depois foi edificado o colégio de Santo António da Estrela.

Mas logo no mês de Setembro se modificou, em parte, este estado de coisas; porque o Rei, declarando ir edificar umas Escolas Gerais, ordenou que as aulas abrigadas nas casas do Reitor fossem instaladas, em quanto se não fundavam essas Escolas – nos próprios Paços Reais.

Já então estes eram bem mais vastos do que a primitiva Alcáçova; à antiga construção românica substituíra-se, por completo, a reconstrução manuelina, em sucessivas obras, dirigidas pelo mestre Pêro Anes, depois por Marcos Pires, e finalmente pelo arquitecto Diogo de Castilho.

Ficaram então: nos Paços Reais – as faculdades do Direito Civil (Leis), de Cânones, de Matemática, a Retórica e a Música; e nos colégios de Santa Cruz – a teologia, as línguas Latina e Grega, a Medicina e as Artes. / 167 /

Além do inconveniente desta separação material dos estudos, o expediente de semelhantes instalações trazia uma dificuldade grave, tanto para a administração da Universidade como para o exercício do ensino; era a divisão da autoridade superior entre duas entidades; pois, se nas faculdades e serviços postos nos Paços Reais governava o Reitor, tudo quanto ficara ao abrigo dos colégios de Santa Cruz estava por esse facto sujeito à jurisdição e governo do Prior dos Crúzios, agora do governador reformador Frei Braz de Barros, que fundara os colégios de acordo com o próprio Rei.

Tanto era delicada de resolver a dificuldade que só sete anos depois, em 1544, governando a Universidade fr. Diogo de Murça, e passando todas as faculdades para os Paços reais – foram estas reunidas sob a autoridade única do Reitor, tudo sempre de acordo com o reformador de Santa Cruz – Frei Braz de Barros. Já, porém, o superior de Santa Cruz passara a exercer uma função que, embora exterior e formal, representava o reconhecimento de uma verdadeira autoridade, e até certo ponto o da gratidão devida pelo Estudo português à antiga tradição do mosteiro de Santo Agostinho.

Refiro-me ao privilégio da colação dos graus de licenciado e de doutor.

Vimos que, desde os primeiros tempos do Estudo Geral, eram os graus conferidos, auctoritate apostolica, na Sé da cidade onde o Estudo estivesse – na de Lisboa ou na de Coimbra – pelo respectivo bispo ou pelo seu vigário. Eram estes os cancelários, e na sua presença se verificavam, dentro da catedral, os actos grandes que precediam aqueles graus.

Efectuada a mudança definitiva da Universidade para Coimbra – houve nisto modificação.

Fora por D. João lII conferida ao segundo Reitor do novo período – D. Agostinho Ribeiro – a prerrogativa da colação dos graus, primeiro em Leis e Medicina, depois em teologia e Cânones –prerrogativa confirmada por cartas apostólicas. Mas não tardou que o mesmo rei, movido decerto por aqueles motivos de reconhecimento, passasse o privilégio para o Prior Geral de Santa Cruz. Já este gozava do privilégio em 1540, isto é quatro anos antes da passagem das faculdades todas para os Paços reais.

Com o título de Cancelário, conservaram os Priores de Santa Cruz o privilégio da colação dos graus até 1834.

Enquanto as faculdades de Cânones e Leis estiveram nos colégios de Santa Cruz, realizaram-se na igreja do convento os actos grandes. Desde que as faculdades ficaram todas reunidas nos Paços reais – foram feitos aqui os actos grandes, regulando-se a colação dos graus da maneira seguinte.

Se o grau era em Teologia, a colação realizava-se na igreja de Santa Cruz, auctoritate apostolica.

Se o grau devia ser conferido em qualquer das outras faculdades, auctoritate regia, a cerimónia efectuava-se nos Paços reais, – agora, como vimos, instalação privativa da Universidade, por cedência do Rei.

Mas, como num e noutro caso, era / 168 / sempre o Prior cancelário quem o conferia, na presença do Reitor, doutores, mestres, etc. – tinha de haver cortejo de um para outro ponto. No primeiro caso, a comitiva do Reitor, com o graduando teólogo, descia dos Paços à igreja. No segundo era a comitiva do D. Prior cancelário que se dirigia, burgo arriba, para os Paços reais.

E, duma e doutra vez, a velha cidade assistia a uma curiosa cavalgada, cheia de carácter, de pitoresco, e certamente de episódios cómicos, em que doutores ou cónegos regrantes, oficiais, bedéis, pajens e fidalgos, montando uns as mulas ajaezadas, outros, cavalos de parada – tudo ladeado de moços e escudeiros, e precedido de atabales e trombetas – iam celebrar o acto da mais pacífica investidura com uma solenidade tradicionalmente cavaleirosa, ainda no fio do costume medieval da imposição das armas.

Em si, o acto revestia cerimonial idêntico ao actual, cabendo então ao CanceIário as funções e prerrogativas hoje do Reitor.

Mas se pode oferecer curiosidade a história das instalações da Universidade, assim como despertaria interesse uma descrição mais miúda dos cortejos e cerimónias usadas – o que sobretudo importará será notar a vida interna do nosso Estudo Geral, exactamente no momento em que ia atingir o mais alto grau de brilho e de valor, embora por pouco tempo.

Como foram conservados por D. João lII nas suas disposições fundamentais, os Estatutos de D. Manuel, não voltarei a descrever o quadro das ciências e das artes professadas na Universidade. Mas não posso deixar de mencionar a divisão e disposição dadas a todos esses estudos com a criação dum novo instituto, a que a Universidade deveu largas vantagens – até que tivesse de o ver convertido na mais terrível das armas voltadas contra as suas próprias condições de vida.

Refiro-me ao Colégio das Artes.

Depois de existirem os colégios de ensino e os colégios-pensões que descrevi, e estabelecidas já todas as faculdades nos Paços reais – foi ainda assim reconhecida a necessidade de criar esse novo colégio, destinado às Artes e Humanidades, isto é: pouco mais ou menos ao que hoje chamaríamos preparatórios, instrução secundária – até aí dada com as faculdades.

Ficou assim feita nitidamente a destrinça, entre as Escolas Maiores – ou das faculdades, e as Menores – ou Artes; constituindo, contudo, umas e outras, o todo moral, ou corpo universitário.

O Colégio das Artes principiou a funcionar em 1548, em casas dos colégios de S. Miguel e de Todos os Santos, junto a Santa Cruz.

Só mais tarde, no tempo do Cardeal regente, à volta do ano de 1558, foi o Colégio das Artes transferido para casa de propósito edificada (onde é hoje o hospital da Universidade). O primitivo Colégio das Artes começou a funcionar independente, na sua administração, da jurisdição e governo do Reitor da Universidade. Mas esteve assim pouco tempo. Logo em 1549 foi incorporado no governo da Universidade, sem que disso parecesse advir inconveniente. / 169 /

Foi primeiro Reitor ou principal do Colégio das Artes o Dr. André de Gouveia, irmão de Marçal e de António de Gouveia; a sua direcção logo se tornou notável pela alta superioridade com que organizou ali o ensino, secundado pelo grupo escolhido de professores vindos com ele de Paris – João da Costa, Diogo de Teive, André de Resende, Melchior Beliago – e pelos professores estrangeiros Jorge e Arlando Buchanan (escoceses), Elie e Jacques, (franceses), entre outros.

Nas faculdades maiores não era menos brilhante o concurso de doutores e professores. Assim, na teologia aparecem-nos: o Dr. Afonso do Prado, o Dr. Francisco de Masson, já da Universidade de Lisboa, este, Frei João Pedro, Martinho de Ledesma, António da Fonseca, Marcos Romeiro; nas cadeiras de Cânones: o famoso Dr. Aspilcueta Navarro, tão desejado para Portugal, quando ensinava em Salamanca, que D. João III meteu por empenho, a fim de o trazer cá, o próprio imperador Carlos V, depois de valiosas promessas feitas ao rogado professor; Morgovejo, também de Salamanca, Luís de Alarcão, Manuel de Andrade, etc.; em Leis, entre os seus 18 professores, o Dr. Gonçalo Vaz Pinto, ainda da Universidade de Lisboa, Manuel da Costa o subtil, vindo de Salamanca, Fabio Arcas Armanio, vindo de Roma.

Se a Medicina abriu com um único professor – o Dr. Henrique de Cuelar – teve depois Tomás da Veiga, António Barbosa, Afonso Guevara, e o afamado Rodrigo Reinoso.

A cadeira de Matemática foi regida de começo pelo célebre Pedro Nunes, já professor de Artes e Reitor em Lisboa, e que ainda regeu aquela cadeira no reinado de D. Sebastião.

Dentro de pouco tempo, a Universidade de Coimbra atraía tamanha concorrência, que nem o tempo nem o espaço chegavam para dar entrada a quantos queriam ouvir mestres tão conhecidos. Tornou-se necessário que, além dos professores efectivos, viessem reger cursos extraordinários outros doutores, visto permitirem-no os Estatutos manuelinos em vigor; para a época das férias do verão foram criadas duas cadeiras em cada faculdade, com salário especial de professores para esse período de férias.

Enfim, pediam-se então aulas com o mesmo furor com que hoje se pedem feriados!

E era tal a abundância de homens habilitados ao ensino pela nossa Universidade, que Portugal teve de exportar professores, a convite das outras nações.

Êxodo glorioso este dos doutores de Coimbra do século XVI!

Por toda a parte os encontrariam; em Salamanca, em Paris, em Roma, em Louvain, Pisa, Bolonha, Montpellier, etc.

Parecendo ter ainda a consciência de quanto valia essa instituição, cuja mudança para Coimbra tão diligentemente ordenara – o Rei D. João III não ficou estranho ao entusiasmo espalhado durante os primeiros doze anos, e quis honrar a Universidade com a sua visita e de toda a família real, no ano de 1550. E tão grande era a distância e a altura a que a Universidade de Coimbra estava, comparada com o antigo Estudo de Lisboa – que a sua corporação recebeu o rei como receberia um fundador.

E contudo o período desta existência / 170 / brilhante e fecunda não alcançou vinte anos!

Como explicar então a sua decadência?

Além das causas gerais da decadência nacional – pode ela explicar-se por duas influências funestas, cuja eclosão e desenvolvimento prendem, em grande parte, com o feitio e carácter do próprio Rei – «imbecil ou ignorante, em todo o caso fanático» – como escreveu Herculano.

Essas duas influências foram a da Inquisição – tribunal introduzido em Portugal pela bula de 23 de Maio de 1536, de Paulo III, a instâncias de D. João III; e a da Companhia de Jesus, introduzida no país em 1540, também a pedido do monarca.

Não é necessário estar animado do espírito de hostilidade que verte do Compêndio histórico para atribuir aos Jesuítas a parte principal no desbarato da nossa gloriosa Universidade do século XVI. Isto sem golpe nas qualidades e talentos de indivíduos pertencentes à Companhia, e que também pertenceram, alguns, ao corpo universitário.

Foi de consumada habilidade e astúcia o plano de ataque concebido e executado contra a Universidade pela Companhia de Jesus.

Podemos encará-lo sob três aspectos, que correspondem aos campos e meios de acção escolhidos pelos persistentes inimigos; a) - conquista dos elementos de ensino existentes; b) - exigências de ordem económica; c) - criação de instituições concorrentes.

Começam pela conquista do Colégio das Artes, que logo em 1555 lhes é forçadamente entregue por Diogo de Teive, em vista da carta régia de 10 de Setembro desse ano. E tomam o centro do ensino secundário e preparatório já com a mira na conquista do ensino superior.

Como este, no entanto, se encontra ainda cheio de prestígio e de força,  / 171 / tratam de obter a separação das Artes menores das Maiores, isto é, de obter que o Colégio das Artes volte a ser da independente jurisdição universitária, para o tornarem bem seu, e de sua feição. Até que, conseguindo o monopólio do ensino secundário, a par de medidas crescentemente restritivas das liberdades e prerrogativas do antigo Estudo, obtenham a admissão dos seus examinados e alunos aos graus universitários, sem juramento nem propinas; e depois: a equiparação dos religiosos da Companhia, embora graduados fora da Universidade, aos graduados desta, e a condição, imposta aos estudantes de Cânones e Leis, de apresentarem sempre, para a sua matrícula nessas faculdades, certidão passada pelo Colégio das Artes.

Quando, porém, já de fora e de modo indirecto, assim chegam a dominar para dentro da Universidade, tanto andam e intrigam, que conseguem de novo reunir as Escolas Menores com as Maiores, como estavam antes da sua campanha insidiosa.

Para que as teriam, agora, separadas, se umas e outras lhes iam pertencendo?

Era de tão hábil táctica unir nesta altura os elementos conquistados, como o fora separá-los para os arrancar aos professores antigos, prestigiosos e livres.

E estes, os que restavam, dos bons, o que faziam?

Entre as medidas régias, inspiradas pelos Jesuítas, e as ameaças e perseguições da Inquisição, não lhes restava meio de defesa. Retiravam-se uns, submetiam-se outros, calavam-se todos, ou abafavam a voz. Eram convincentes os exemplos de severidade e mortificação a que se tinham sujeitado os mais independentes e altivos de espírito.

A expulsão, a ruína e a exautoração figuravam no número dos mais brandos. Lá viriam o cárcere e a fogueira, e, como expedientes para colher as vítimas, a delação, a calúnia, a bisbilhotice sinistra dos fiéis.

Tantas vezes, depois, opostas e rivais, as duas instituições – Companhia de Jesus e Santo Ofício – auxiliavam-se de começo na mais monstruosa, vil e esterilizadora obra de destruição.

Mas notei, até aqui, apenas um dos meios de que os jesuítas lançaram mão: a conquista dos elementos de ensino preexistentes.

Uma outra medida – a de ordem económica – foi a imposição, à Universidade, da despesa com a sustentação dos mestres do Colégio das Artes, que dantes eram pagos pelas rendas da Fazenda real.

O terceiro dos passos mais importantes dos Jesuítas, nesse caminho de conquista, consistiu na criação da Universidade de Évora – dotada, de princípio, com singulares garantias, embora lhe não fosse dado um quadro completo das faculdades.

Carecendo de espaço para desenvolver estes pontos, quero contudo indicar as datas que primeiro marcam e balizam o período de decadência da Universidade.

Data, como disse, de 1555 a entrega do Colégio das Artes à Companhia de Jesus. Foi ainda obra de D. João lIl, assim como a separação do Colégio, sancionada por uma provisão de 1557. Pouco depois, logo em Junho deste ano, morria o monarca piedoso, de certo em plena paz de consciência por ter começado a destruir na terra portuguesa perigosas vegetações de pensamento, cuja seara ele próprio parecera ter querido ver medrar. As outras medidas, alcançadas pela perseverança dos Jesuítas, são já dos reinados seguintes.

Corria a regência da rainha D. Catarina quando se realizou a abertura solene da Universidade de Évora.

Pertencem também a esta regência da rainha viúva três alvarás – dois de 1560, outro de 1561 – contendo os privilégios principais concedidos ao ensino do Colégio das Artes.

Com o governo do Cardeal regente a Companhia entra em pleno período de prosperidade, ao mesmo tempo, é claro, que a Universidade vai declinando, como continuará a declinar durante o reinado de D. Sebastião, e durante o curto reinado desse fraco e lúgubre D. Henrique.

Em tais condições, não havia Estatutos nem actos regulamentares que pudessem valer à Universidade, a diminuir sempre, a mirrar-se dia a dia. / 172 /

Em todo o seu melhor período, depois da transferência para Coimbra, regera-se ela ainda pelos Estatutos de D. Manuel – os terceiros na ordem histórica, pois, aparte algumas provisões e ordens régias avulsas, não quisera D. João III ordenar novos Estatutos.

Mas, embora deixassem muito a desejar, com estes não levara a Universidade muito tempo a atingir uma elevação superior à de toda a sua história.

É que, se eram incompletos, os Estatutos manuelinos não eram opressivos. Deixavam ainda entrar para dentro ar e luz – esse ar e essa luz da Renascença, que fecundavam e reanimavam, onde penetrasse.

A liberdade era, como sempre, a melhor garantia de desenvolvimento e de actividade criadora.

Nesses dezoito anos de maior brilho não se fizera sentir peso nem sombra de intolerância.

Por isso mesmo se não tornava necessário mexer na Lei reguladora.

Pois em compensação, pouco depois de começar a invasão teimosa por parte da Companhia, logo em 1559, e daqui até 1612, num período de 53 anos apenas, aparecem nada menos de cinco reformas da Universidade, traduzidas noutros tantos corpos de Estatutos.

Explica-se.

Cada reforma representava novo passo e nova conquista da Companhia – que contou muitas pessoas afectas entre Reitores, Reformadores e Visitadores da Universidade, a seguir ao primeiro golpe – a invasão do Colégio das Artes. Essa série de Estatutos, dos quais uns eram impostos, outros aceitos de melhor ou pior feição pelos professores, figuram com as datas seguintes: 1559 (são os 4.ºs Estatutos), 1565 (5.ºs Estatutos), 1592 (6.ºs Estatutos), 1597 (7.ºs Estatutos), 1612 (8.ºs Estatutos). De toda a série, apenas especializarei os de 1592, os sextos, não só pela difícil e longa gestação que tiveram, mas por dois outros motivos: reorganizaram o estudo das Artes, que ficou com quatro cadeiras, compostas de divisões e subdivisões aristotélicas – desse Aristóteles herdado da Idade Média, e ainda complicado; e foram os primeiros que se deram à estampa, saindo impressos em Coimbra no ano de 1593, na oficina de António de Barreira, impressor da Universidade.

Ao longo deste período de mais de meio século, e do período seguido até D. João V – que compreenderam o reinado de D. Catarina, a regência de D. Henrique, o reinado de D. Sebastião, o do Cardeal, o dos Filipes, e os dos três primeiros Braganças – nada temos a registar de útil e de profícuo para a existência interna da Universidade.

A orientação e o regime do ensino secundavam e completavam a obra dos Estatutos sucessivos – a crescente submissão da Universidade ao domínio e aos fins da Companhia. Era o progressivo enfraquecimento e adulteração do espírito e dos processos de verdadeira aquisição científica.

(Continua)

MANUEL DA SILVA GAIO

 

 

 

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