Pobre amor!
 

No parque, em pleno Abril; mas que tristeza!

Ele, tão velho já, todo curvado,

Ela, velha também, no mesmo estado,

A sombra apenas da gentil marquesa.

Quarenta anos havia, com certeza,

 

Que a medo um beijo ali tinham trocado;

Raiava, como agora, o sol do irado,

Despertava sorrindo a natureza.

 

E na doce visão daquele dia,

Olharam de revés, sem dizer nada,

Para um marmóreo amor, que perto havia.

 

Mas ai! que a pobre figurinha alada,

Cheia de laivos duma côr sombria,

Só tinha uma das asas... e quebrada!

CELESTINO SOARES

 

 

 

 

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